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Transtornos Mentais

Transtornos Mentais

Uma vez que as doenças mentais nos trazem uma série de inquietudes e curiosidades, criei este espaço onde estão disponibilizados alguns esclarecimentos acerca de alguns transtornos mentais para aquele leitor que queira se informar, compreender e tomar conhecimento dos sintomas, das classificações e possibilidades de tratamentos para os transtornos mentais. Os transtornos mentais aqui expostos estão classificados de acordo com classificação Internacional de Doenças e Problemas Relacionados à Saúde, chamada de CID 10, organizada pela Organização Mundial de Saúde. O CID 10 foi criado com o objetivo de realizar uma padronização à codificação de doenças e outros problemas relacionados, servindo como um instrumento universal de compreensão e comunicação entre os profissionais da área da saúde, dentre outras utilidades aqui não aprofundadas como a de registrar as estatísticas de mortalidade mundial.

De modo geral, os transtornos mentais são tratáveis por meio de dois recursos: a psicoterapia e o tratamento medicamentoso realizado pelo médico psiquiatra. Estas duas ferramentas quando utilizadas concomitantemente levam o paciente a resultados favoráveis e satisfatórios. Vale destacar que o tratamento para alguns transtornos mentais não exigem obrigatoriamente o uso e o acompanhamento medicamentoso com o medico psiquiatra, sendo que em muitos casos somente a psicoterapia pode se mostrar suficiente para o tratamento manifestar resultados satisfatórios.

Normal x Anormal

A normalidade é uma convenção social a partir daquilo que é mais comum entre as pessoas, sendo considerado anormal aquilo que se diferencia do comum. Algo anormal não é necessariamente algo ruim ou prejudicial, mas,se estiver sendo, pode caracterizar um sintoma ligado a algum transtorno mental. Um sintoma pode ser basicamente de três tipos: uma alteração de uma característica normal; uma ausência de alguma característica importante; ou mesmo uma característica extra que não existe para as outras pessoas.

Para que alguma característica, comportamento, pensamento ou sentimento seja considerado um sintoma a ser tratado é necessário que ele esteja produzindo algum tipo de sofrimento ao sujeito ou as pessoas próximas, causando perturbação com freqüência ou prejudicando o trabalho, o aprendizado, o desenvolvimento pessoal, o convívio social, etc. Desse modo, o que é anormal é muito relativo e pode variar da cultura de um grupo social para outro, sendo a sua classificação dentro de um transtorno mental algo muito complexo, relativo e às vezes até polêmico.

O que são os Transtornos Mentais?

Assim como uma doença física se encontra no corpo de alguém, um transtorno mental é uma perturbação que ocorre na mente de uma pessoa. Os Transtornos Mentais são classificações diagnósticas que ajudam os profissionais da saúde e os pacientes a identificarem exatamente o problema em questão, o que já foi estudado sobre ele e quais as formas mais eficientes de tratamento.

Os sintomas, por mais estranhos que possam parecer, são vividos por essas pessoas como algo real. Alguém que possua um transtorno frequentemente sofre com os sintomas e por isso não deve ser ignorado ou discriminado, mas ajudado. Alguns estudos apontam que cerca de 31 a 50% da população brasileira apresenta, durante a vida, ao menos um episódio de algum transtorno mental, sendo que cerca de 20 a 40% da população necessita de algum modo de ajuda profissional devido a esses transtornos. Sendo assim, a partir de alguns esclarecimentos contidos nesse site, você pode identificar alguma necessidade de ajuda psicológica, mas jamais um diagnóstico pode ser realizado com as informações do site, sendo que apenas o psicólogo e o médico estão capacitados para tal diagnóstico.

Quando devo buscar um psicólogo e psiquiatra?

Há diferentes formas de tratamento para os transtornos, sendo a psicoterapia e os medicamentos, as duas mais comuns. A psicoterapia é indispensável e pode fornecer tratamento em todos os transtornos mentais auxiliando o paciente a lidar com a sua dificuldade, a cuidar de seus sintomas, tendo na companhia do profissional de psicologia uma parceria que fortalece e aponta esperança na superação dos transtornos. Em alguns casos, o profissional da medicina, especializado em psiquiatria, pode auxiliar no diagnóstico e fornecer o tratamento medicamentoso, normalmente em casos mais agravados, ou quando constatada a necessidade.

Deve-se buscar por esses profissionais quando há suspeita de algum transtorno mental ou quando há sintomas frequentes e prejudiciais que gerem um grau considerável de sofrimento psicológico, perturbação do meio social próximo, etc.

Aqui estão alguns transtornos mentais recorrentes no consultório de psicologia. Iremos tratar aqui apenas os transtornos mentais que hoje possuem maior incidência na busca por avaliação ou tratamento psicológico.


F00-F09 Transtornos mentais orgânicos, inclusive os sintomáticos

1 - F00* Demência na doença de Alzheimer (G30.-†)

Descrição: “A doença de Alzheimer é uma doença cerebral degenerativa primária de etiologia desconhecida com aspectos neuropatológicos e neuroquímicos
característicos. O transtorno é usualmente insidioso no início e se desenvolve lenta mas continuamente durante um período de vários anos”.

Sintomas: “Embora a doença de Alzheimer se manifeste de forma diferente em cada pessoa, existem diversos sintomas em comum. Os primeiros sintomas são geralmente confundidos com sinais relacionados com a idade ou manifestações de stress. Nos primeiros estágios, o sintoma mais comum é a dificuldade em recordar eventos recentes, o que se denomina perda de memória a curto prazo. Quando se suspeita de Alzheimer, o diagnóstico é geralmente confirmado com exames que valiam o comportamento e a capacidade de raciocínio da pessoa, os quais podem ser complementados por um exame cerebral. No entanto, só é possível determinar um diagnóstico definitivo através de um exame ao tecido cerebral. À medida que a doença evolui, o quadro de sintomas pode incluir confusão, irritabilidade, alterações de humor, comportamento agressivo, dificuldades com a linguagem e perda de memória a longo prazo. Em grande parte dos casos, a pessoa com Alzheimer afasta-se gradualmente da família e da sociedade. Gradualmente, o corpo vai perdendo as funções corporais normais, o que acaba por levar à morte. Uma vez que a doença se manifesta de forma diferente em cada pessoa, é difícil prever como irá afetar determinada pessoa. Antes de se manifestar por completo, a doença evolui ao longo de um período de tempo desconhecido e variável, podendo progredir ao longo de anos sem ser diagnosticada”.

Incidências: “Em 2006, existiam no mundo 26,6 milhões de pessoas com Alzheimer e em 2050 prevê-se que afete 1 em cada 85 pessoas à escala mundial. A doença afeta 1% dos idosos entre os 65 e 70 anos, mas a prevalência aumenta exponencialmente com a idade, sendo de 6% aos 70, 30% aos 80 anos e mais de 60% depois dos 90 anos”.

Causas: “As causas de maior parte dos casos de Alzheimer são ainda desconhecidas, exceto em 1-5% dos casos onde têm sido identificadas diferenças genéticas”. [...] “O fumo de tabaco é um fator de risco significativo de Alzheimer. Os marcadores sistémicos do sistema imune inato são também fatores de risco para o Alzheimer de aparecimento tardio. Existem também evidências conjeturais de que a exposição à poluição do ar possa constituir um fator para o desenvolvimento de Alzheimer. Embora alguns estudos tenham sugerido que os campos eletromagnéticos de Frequência extremamente baixa possam aumentar o risco de Alzheimer, as revisões posteriores sustentam que esta hipótese requer investigações epidemiológicas e laboratoriais”.

Subtipos: Doença de Alzheimer de início precoce: “Demência na doença de Alzheimer com início antes da idade de 65 anos, com um curso de deterioração relativamente rápido e com transtornos múltiplos e marcantes das funções corticais superiores”; Demência na doença de Alzheimer de início tardio: “Demência na doença de Alzheimer com início após a idade de 65 anos, e usualmente ao fim do oitavo decênio (70-79 anos) ou após esta idade; evolui lentamente e se caracteriza essencialmente por uma deterioração da memória”. Demência na doença de Alzheimer, forma atípica ou mista; Demência não especificada na doença de Alzheimer.

Tratamentos medicamentosos mais comumente usados: “Atualmente são usados cinco medicamentos no tratamento dos problemas cognitivos de Alzheimer: quatro são inibidores da acetilcolinesterase (tacrina, rivastigmina, galantamina e donepezila), sendo o outro um antagonista dos receptores de NMDA (memantina). No entanto, os benefícios da sua utilização são pouco significativos”. “Os fármacos antipsicóticos têm alguma utilidade na diminuição da agressividade e psicose em pacientes de Alzheimer com problemas comportamentais, mas estão também associados a reações adversas graves, como acidentes vasculares cerebrais, dificuldades de movimento ou declínio cognitivo, o que não permite o seu uso como tratamento de rotina. A sua utilização prolongada está associada ao aumento da mortalidade”.



F10-F19 Transtornos mentais e comportamentais devidos ao uso de substância psicoativa

F10 Transtornos mentais e comportamentais devidos ao uso de álcool

Descrição: Os quadros de intoxicação, abuso e dependência de álcool e outras substancias psicoativas caracterizam-se por uma forma particular de relação entre os seres humanos e as substancias químicas que apresentam ação definida sobre o sistema nervoso central (SNC) e, consequentemente, sobre o psiquismo.
Estado consequente ao uso de uma substância psicoativa e compreendendo perturbações da consciência, das faculdades cognitivas, da percepção, do afeto ou do comportamento, ou de outras funções e respostas psicofisiológicas. As perturbações estão na relação direta dos efeitos farmacológicos agudos da substância consumida, e desaparecem com o tempo, com cura completa, salvo nos casos onde surgiram lesões orgânicas ou outras complicações. Entre as complicações, podem-se citar: traumatismo, aspiração de vômito, delirium, coma, convulsões e outras complicações médicas. A natureza destas complicações depende da categoria farmacológica da substância consumida assim como de seu modo de administração.

Sintomas: Ingestão repetitiva de álcool, incluindo a compulsão para ingerir bebidas alcoólicas de modo contínuo e periódico, havendo a perda de controle. O padrão de ingestão de álcool é cada vez mais estereotipado e repetitivo. O indivíduo não obtém gratificação de outras fontes, apenas do álcool. A tolerância é cada vez maior, podendo diminuir nas fases terminais do alcoolismo. Há também alguns sintomas repetitivos de abstinência, onde o indivíduo vai acrescentando ao seu curriculum os vários episódios de abstinência de álcool ou mesmo de delirium tremens. O indivíduo passa a apresentar comportamento de beber logo pela manhã para avaliar o desconforto de uma abstinência incipiente.

Incidências: A incidência é maior entre os homens do que entre as mulheres. E também maior entre os mais jovens, especialmente na faixa etária dos 18 aos 29 anos.

Causas: Está associado a uma sucessão de perdas. O desejo incontrolável da bebida e a incapacidade de estabelecer um limite comprometem os relacionamentos profissionais, familiares e as amizades. A pessoa perde o controle sobre sua vontade, depois o respeito pelos outros, a memória, o raciocínio abstrato, a capacidade de concentração, o trabalho e a família. Os indivíduos arrumam os mais diversos pretextos para o primeiro gole, depois para o segundo e assim por diante, como ressentimento, ciúme, cansaço, etc. Alegam que bebem para esquecer ou para adquirir coragem para expressar sentimentos que não conseguem quando estão sóbrios. Embora todas as causas ainda não tenham sido descobertas, acredita-se, acredita-se que um dos fatores seja a hereditariedade. Evidentemente é preciso prestar atenção às causas da dependência física ao álcool e também levar em conta as necessidades psicológicas que levam uma pessoa a refugiar-se nesta droga.

Subtipos: O Tipo 1 é caracterizado pelo início tardio de problemas relacionados ao álcool após 25 anos de idade, comportamento antissocial menos acentuado, busca espontânea de álcool e perda de controle pouco frequentes, além de culpa e medo relativo ao uso de álcool. Os alcoólatras Tipo 1 têm baixo índice na busca de novidades e alto índice na tendência de evitar danos e na dependência de recompensa. Por outro lado, o Tipo 2 é caracterizado pelo início precoce de problemas relacionados ao álcool (antes de 25 anos), comportamento antissocial ao beber, busca espontânea de álcool e perda de controle frequentes, além da ocorrência rara de culpa e medo relativo ao uso de álcool.

Tratamentos medicamentosos mais comumente usados: Dois medicamentos têm sido apontados como possíveis promessas ao tratamento: Topiramato e Naltrexona. O Topiramato é um anticonvulsante que facilita a ação inibitória do neurotransmissor GABA (nos receptores não-benzodiazepínicos) e reduz a ação excitatória sobre os receptores de glutamato. Por sua vez, a naltrexona atua sobre o sistema opióide, bloqueando os efeitos de recompensa do álcool, evitando recaídas.



F20-F29 Esquizofrenia, transtornos esquizotípicos e transtornos delirantes

F20 Esquizofrenia

Descrição: Os quadros de intoxicação, abuso e dependência de álcool e outras substancias psicoativas caracterizam-se por uma forma particular de relação entre os seres humanos e as substancias químicas que apresentam ação definida sobre o sistema nervoso central (SNC) e, consequentemente, sobre o psiquismo.
Estado consequente ao uso de uma substância psicoativa e compreendendo perturbações da consciência, das faculdades cognitivas, da percepção, do afeto ou do comportamento, ou de outras funções e respostas psicofisiológicas. As perturbações estão na relação direta dos efeitos farmacológicos agudos da substância consumida, e desaparecem com o tempo, com cura completa, salvo nos casos onde surgiram lesões orgânicas ou outras complicações. Entre as complicações, podem-se citar: traumatismo, aspiração de vômito, delirium, coma, convulsões e outras complicações médicas. A natureza destas complicações depende da categoria farmacológica da substância consumida assim como de seu modo de administração.

Sintomas: Ingestão repetitiva de álcool, incluindo a compulsão para ingerir bebidas alcoólicas de modo contínuo e periódico, havendo a perda de controle. O padrão de ingestão de álcool é cada vez mais estereotipado e repetitivo. O indivíduo não obtém gratificação de outras fontes, apenas do álcool. A tolerância é cada vez maior, podendo diminuir nas fases terminais do alcoolismo. Há também alguns sintomas repetitivos de abstinência, onde o indivíduo vai acrescentando ao seu curriculum os vários episódios de abstinência de álcool ou mesmo de delirium tremens. O indivíduo passa a apresentar comportamento de beber logo pela manhã para avaliar o desconforto de uma abstinência incipiente.

Incidências: A incidência é maior entre os homens do que entre as mulheres. E também maior entre os mais jovens, especialmente na faixa etária dos 18 aos 29 anos.

Causas: Está associado a uma sucessão de perdas. O desejo incontrolável da bebida e a incapacidade de estabelecer um limite comprometem os relacionamentos profissionais, familiares e as amizades. A pessoa perde o controle sobre sua vontade, depois o respeito pelos outros, a memória, o raciocínio abstrato, a capacidade de concentração, o trabalho e a família. Os indivíduos arrumam os mais diversos pretextos para o primeiro gole, depois para o segundo e assim por diante, como ressentimento, ciúme, cansaço, etc. Alegam que bebem para esquecer ou para adquirir coragem para expressar sentimentos que não conseguem quando estão sóbrios. Embora todas as causas ainda não tenham sido descobertas, acredita-se, acredita-se que um dos fatores seja a hereditariedade. Evidentemente é preciso prestar atenção às causas da dependência física ao álcool e também levar em conta as necessidades psicológicas que levam uma pessoa a refugiar-se nesta droga.

Subtipos:
O Tipo 1 é caracterizado pelo início tardio de problemas relacionados ao álcool após 25 anos de idade, comportamento antissocial menos acentuado, busca espontânea de álcool e perda de controle pouco frequentes, além de culpa e medo relativo ao uso de álcool. Os alcoólatras Tipo 1 têm baixo índice na busca de novidades e alto índice na tendência de evitar danos e na dependência de recompensa. Por outro lado, o Tipo 2 é caracterizado pelo início precoce de problemas relacionados ao álcool (antes de 25 anos), comportamento antissocial ao beber, busca espontânea de álcool e perda de controle frequentes, além da ocorrência rara de culpa e medo relativo ao uso de álcool.

Tratamentos medicamentosos mais comumente usados: Dois medicamentos têm sido apontados como possíveis promessas ao tratamento: Topiramato e Naltrexona. O Topiramato é um anticonvulsante que facilita a ação inibitória do neurotransmissor GABA (nos receptores não-benzodiazepínicos) e reduz a ação excitatória sobre os receptores de glutamato. Por sua vez, a naltrexona atua sobre o sistema opióide, bloqueando os efeitos de recompensa do álcool, evitando recaídas.

Esquizofrenia paranoide (F20.0)
É caracterizada pelo predomínio de sintomas positivos (delírios e alucinações) sobre os sintomas negativos. Em geral, os pacientes apresentam tramas delirantes bem estruturadas e alucinações, com alterações de comportamento compatíveis com suas vivências psíquicas, como inquietação ou agitação psicomotora, comportamento de medo ou fuga, ausência de juízo crítico, dentre outras. Nesses casos, o paciente melhora dos sintomas mais agudos com o tratamento, retomando boa parte de suas atividades e relacionamentos, permanecendo com poucos prejuízos na fase crônica, já que os sintomas negativos não estão tão presentes. Podem ocorrer sintomas cognitivos que dificultam a retomada de algumas atividades após a fase aguda.
Esquizofrenia hebefrênica ou desorganizada (F20.1)
Nesse caso há predomínio dos sintomas negativos e de desorganização do pensamento e do comportamento sobre os sintomas positivos. Alucinações e delírios podem não ocorrer, ou se ocorrerem, não são uma parte importante do quadro, que se caracteriza mais por um comportamento pueril ou regredido, desorganização do pensamento e do comportamento, dependência de terceiros para atividades mais básicas, perda da autonomia, desinteresse, isolamento ou perda do contato social e afetividade mais superficial ou infantil. Os sintomas mais agudos, como a desorganização do pensamento e do comportamento, podem melhorar com o tratamento, mas alguns sintomas negativos podem persistir e dificultar mais a retomada das atividades. Ocorrem alterações cognitivas, principalmente relacionadas à atenção, memória e raciocínio, que podem trazer prejuízos sociais e laborativos.

Esquizofrenia catatônica (F20.2)
É o tipo menos comum, caracterizado por sintomas de catatonia na fase aguda. O paciente pode falar pouco ou simplesmente não falar, ficar com os movimentos muito lentos ou paralisados (p.ex., numa mesma posição por horas ou dias), recusar se alimentar ou ingerir líquidos, interagir pouco ou simplesmente não interagir com ninguém, embora desperto e de olhos abertos. O tratamento melhora os sintomas de catatonia, podendo o paciente permanecer com sintomas negativos e cognitivos na fase crônica. Há casos em que, na fase aguda, podem ocorrer comportamento agitado e repetitivo sem um propósito claro ou identificável.

Esquizofrenia indiferenciada (F20.3)
Quando os sintomas positivos e negativos estão igualmente presentes, havendo delírios e alucinações em intensidade semelhante aos sintomas negativos e desorganizados, classifica-se o tipo como indiferenciado. A evolução e o prognóstico nesses casos são muito variáveis, geralmente pior do que na esquizofrenia paranóide, porém superior ao tipo hebefrênico.

Esquizofrenia residual (F20.5)
Utilizado para tipificar quadros mais crônicos, de longos anos de evolução ou que evoluem rapidamente para um comportamento mais deteriorado, com muitos prejuízos sociais e para a autonomia da pessoa, afetando sua capacidade de comunicação, inclusive verbal, gerando passividade ou falta de iniciativa, lentidão psicomotora, monotonia e prejuízos inclusive para o autocuidado e higiene pessoal.

Esquizofrenia simples (F20.6)
Em casos em que os sintomas negativos ocorrem isoladamente, sem sintomas positivos e de desorganização, e não há uma diferença bem delimitada entre as fases aguda e crônica, optou-se por chamar de esquizofrenia simples. Alguns autores equivalem esse diagnóstico ao transtorno de personalidade esquizotípico, caracterizado por afetividade superficial ou imprópria, falta de vontade e comportamento excêntrico ou desviante, com tendência ao isolamento e desinteresse social. Os sintomas negativos ocorrem mesmo sem um surto psicótico que os preceda.

Tratamentos medicamentosos mais comumente usados: Os antipsicóticos (ou neurolépticos) são medicamentos que combatem a psicose, indicados no tratamento da esquizofrenia. Eles agem diretamente no neurônio, bloqueando receptores de dopamina e impedindo que o excesso da substância, alteração química mais comum na doença, continue provocando os sintomas positivos e as alterações de comportamento. Os mais antigos, desenvolvidos a partir da década de 50, são chamados de típicos ou de antipsicóticos de primeira geração, cujos mais conhecidos são o haloperidol (Haldol) e a clorpromazina (Amplictil). Eles podem ser subdivididos, de acordo com sua potência, em alta potência (alta afinidade por receptores de dopamina já em doses baixas) e baixa potência (baixa afinidade por receptores de dopamina, sendo necessário doses mais altas para o alcance terapêutico).
O haloperidol, por exemplo, é de alta potência, com doses terapêuticas que variam entre 1 e 20mg. Já a clorpromazina é considerada de baixa potência, com doses antipsicóticas geralmente acima de 200mg. O antipsicótico de baixa potência costuma ter um efeito sedativo maior do que o de alta potência, sendo eles comumente usados em conjunto para finalidades distintas (controle dos sintomas positivos + sedação, p.ex.).
A partir da década de 90 surgiram substâncias com ação mais equilibrada nos receptores de dopamina e efeito adicional sobre receptores de serotonina. Elas foram classificadas como antipsicóticos de segunda geração ou atípicos.

F21 Transtorno esquizotípico

Descrição: Transtorno caracterizado por um comportamento excêntrico e por anomalias do pensamento e do afeto que se assemelham àquelas da esquizofrenia, mas não há em nenhum momento da evolução qualquer anomalia esquizofrênica manifesta ou característica. A sintomatologia pode comportar um afeto frio ou inapropriado, anedonia; um comportamento estranho ou excêntrico; uma tendência ao retraimento social; ideias paranoides ou bizarras sem que se apresentem ideias delirantes autênticas; ruminações obsessivas; transtornos do curso do pensamento e perturbações das percepções; períodos transitórios ocasionais quase psicóticos com ilusões intensas, alucinações auditivas ou outras e ideias pseudodelirantes, ocorrendo em geral sem fator desencadeante exterior. O início do transtorno é difícil de determinar, e sua evolução corresponde em geral àquela de um transtorno da personalidade.

Sintomas: o transtorno de personalidade esquizotípica é geralmente compreendido como um transtorno do espectro da esquizofrenia. Estatísticas de indivíduos contendo este transtorno são muito maiores naqueles aparentados com portadores de esquizofrenia do que em portadores de outras doenças mentais ou mesmo em famílias sem nenhuma delas. Ou seja, o transtorno de personalidade esquizotípica é um "fenótipo estendido" que ajuda os geneticistas a rastrear a transmissão genética ou familiar dos genes que estão implicados na esquizofrenia.
Existem vários estudos demonstrando que indivíduos com transtorno de personalidade esquizotípica obtém resultados de maneira parecida àqueles com esquizofrenia em uma larga variedade de testes neurofisiológicos. Déficits cognitivos em pacientes com transtorno de personalidade esquizotípica são muito semelhantes, só que mais moderados, àqueles com esquizofrenia.
Pessoas com transtorno de personalidade esquizotípica, assim como pacientes com esquizofrenia, podem ser bem sensíveis a críticas pessoais e hostilidade, e existem evidências que atualmente sugerem que certos modos de educação familiar, separação precoce, e negligência infantil podem levar ao desenvolvimento de traços esquizotípicos. As crenças delirantes e paranoicas variam muito dependendo do ambiente e devem ser analisadas dentro do contexto sociocultural do indivíduo. É comum que sejam sobre teorias de conspiração sobre o governo, alienígenas e/ou facções políticas, porém é comum também que envolvam questões religiosas como demônios, espíritos, divindades e poderes sobrenaturais. Quando envolve questões religiosas só é considerada um transtorno quando não sejam socialmente compartilhadas e causem prejuízo e sofrimento significativos a si mesmo ou sejam violentos em relação a outros. O tratamento deve ser voltado não a eliminar a crença, e sim em minimizar o prejuízo, sofrimento, violência relacionados às ideias delirantes.

Incidências: A incidência deste transtorno é muito maior em quem já tem parentes portadores de esquizofrenia do que em portadores de outras doenças mentais. Tecnicamente falando, o transtorno de personalidade esquizotípica é um "fenótipo estendido" que ajuda os geneticistas a rastrear a transmissão genética ou familiar dos genes culpados pela esquizofrenia. Vários estudos demonstram que, aqueles com transtorno de personalidade esquizotípica tem resultados de maneira parecida àqueles com esquizofrenia em inúmeros testes neurofisiológicos como, por exemplo, déficits cognitivos em pacientes com transtorno de personalidade esquizotípica são muito semelhantes, apenas mais moderados, àqueles com esquizofrenia.

Causas: Causas de transtorno da Personalidade Esquizotípica não são muito claras. Ele foi colocado em desordem “do espectro da esquizofrenia”. Este distúrbio é listado no DSM-IV-TR no Eixo II. Transtorno de personalidade esquizotípica é encontrado por ser muito comum em pessoas que têm um sofrimento relativo de esquizofrenia do que aqueles cujos parentes podem sofrer de outras doenças mentais. Pode ser uma doença genética em que uma pessoa herda genes relacionados com a esquizofrenia.
Além de causas genéticas, fatores ambientais também podem desempenhar um papel no desenvolvimento do transtorno de personalidade esquizotpíca. Indivíduos com uma infância difícil, que não tinham o calor e as conexões emocionais com os pais ou pessoas ao seu redor estão em risco. Um trauma emocional durante infância ou adolescência, família disfuncional, isolamento social ou a interação social pode desencadear transtorno esquizotípico. É um suposto mecanismo de proteção que a pessoa desenvolve para evitar qualquer dano emocional ou outros danos.
Assim, as causas do transtorno de personalidade esquizotípica inclui os seguintes fatores de risco:
• Um indivíduo que teve um pai emocionalmente ou família disfuncional.
• Indivíduo que sofria de qualquer forma de abuso na infância, trauma ou maus tratos.
• Uma pessoa que cresceu em um ambiente, negligente ou de desprezo.
• Individuo com um pai ou parente próximo com diagnóstico de esquizofrenia ou transtorno de personalidade esquizotípicos.

Tratamentos medicamentosos mais comumente usados: Não há nenhum tratamento medicamentoso específico para o transtorno de personalidade esquizotípica. No entanto, os médicos podem prescrever medicamentos antidepressivos ou antipsicóticos para ajudar a aliviar as condições associadas, tais como ansiedade, depressão ou outros distúrbios de humor. Por exemplo, medicamentos de prescrição como a risperidona (Risperdal) ea olanzapina (Zyprexa) pode ajudar a reduzir o pensamento distorcido.

F22 Transtornos delirantes persistentes

Descrição: Esta categoria reúne transtornos diversos caracterizados única ou essencialmente pela presença de ideias delirantes persistentes e que não podem ser classificados entre os transtornos orgânicos, esquizofrênicos ou afetivos.

Sintomas: O transtorno é caracterizado pela ocorrência de uma ideia delirante única ou de um conjunto de ideias delirantes aparentadas, em geral persistentes e que por vezes permanecem durante o resto da vida. O conteúdo da ideia ou das ideias delirantes é muito variável. A presença de alucinações auditivas (vozes) manifestas e persistentes, de sintomas esquizofrênicos tais como ideias delirantes de influência e um embotamento nítido dos afetos, e a evidência clara de uma afecção cerebral, são incompatíveis com o diagnóstico. Entretanto, a presença de alucinações auditivas ocorrendo de modo irregular ou transitório, particularmente em pessoas de idade avançada, não elimina este diagnóstico, sob condição de que não se trate de alucinações tipicamente esquizofrênicas e de que elas não dominem o quadro clínico.

Incidências: A prevalência relatada para o transtorno entre idosos varia de 0,1 a 4% e sua incidência é estimada em 10-26 por 100.000 habitantes por ano. Ao redor de 1,5% dos pacientes com esquizofrenia têm o início da doença após os 60 anos. Por outro lado, de 16 a 23% dos pacientes com outros estados delirantes e psicoses reativas iniciam-se após essa idade.

Causas: Ainda desconhecida.

Subtipos: Tipo Erotomaníaco: Este subtipo aplica-se quando o tema central do delírio diz respeito a ser amado por outra pessoa. O delírio frequentemente envolve um amor romântico e união espiritual idealizada, ao invés de atração sexual. As pessoas afetadas vivem isoladas, retraídas, em geral solteiras e que tiveram contatos sexuais limitados.

Tipo Grandioso (Megalomania): Este subtipo aplica-se quando o tema central do delírio é a convicção de ter algum grande talento (irreconhecido) ou conhecimento de ser o autor de alguma descoberta importante. Com menor frequência, o indivíduo pode ter o delírio de possuir um relacionamento especial com uma pessoa importante (por ex., de servir de consultor para o Presidente) ou de ser uma pessoa importante (sendo que neste caso a pessoa real pode ser considerada uma impostora).

Tipo Ciumento: Este subtipo aplica-se quando o tema central do delírio diz respeito a estar sendo traído pelo cônjuge ou parceiro romântico. Esta crença é injustificada e está baseada em inferências incorretas apoiadas por pequenas "evidências" (por ex., roupas em desalinho ou manchas nos lençóis), que são colecionadas e usadas para justificar o delírio.

Tipo Persecutório: Este subtipo aplica-se quando o tema central do delírio envolve a crença de estar sendo vítima de conspiração, traição, espionagem, perseguição, envenenamento ou intoxicação com drogas, estar sendo alvo de comentários maliciosos, de assédio ou obstruído em sua busca de objetivos de longo prazo. Pequenos deslizes podem ser exagerados e se tornar o foco de um sistema delirante. É o tipo mais comum.

Tipo Somático: Este subtipo aplica-se quando o tema central do delírio envolve funções ou sensações corporais. Os delírios somáticos podem ocorrer de diversas formas. Os mais comuns envolvem a convicção de estar emitindo odor fétido através da pele, boca, reto ou vagina, de estar infestado com insetos sobre ou sob a pele, de abrigar um parasito interno; de que certas partes do corpo são (contrariamente a todas as evidências) malformadas ou feias, ou de que certas partes do corpo (por ex., o intestino grosso) não estão funcionando.
Tipo Misto: Este subtipo aplica-se quando não há predomínio de qualquer tema delirante.

Tipo Inespecificado: Este subtipo aplica-se quando a crença dominante no delírio não pode ser claramente determinada ou não está descrita entre os tipos específicos (por ex., delírios de referência sem um componente persecutório ou grandioso proeminente).

Tratamentos medicamentosos mais comumente usados: Seu tratamento baseia-se no uso de antipsicóticos e há uma impressão clínica de que tais casos sejam pouco responsivos. Em alguns casos também, há o tratamento com antidepressivo ou estabilizador de humor pode ser indicado em pacientes que não respondam a drogas antipsicóticas.

F23 Transtornos psicóticos agudos e transitórios

Descrição: Grupo heterogêneo de transtornos caracterizados pela ocorrência aguda de sintomas psicóticos tais como ideias delirantes, alucinações, perturbações das percepções e por uma desorganização maciça do comportamento normal. O termo “agudo” é aqui utilizado para caracterizar o desenvolvimento crescente de um quadro clínico manifestamente patológico em duas semanas no máximo. Para estes transtornos não há evidência de uma etiologia orgânica. Acompanham-se frequentemente de uma perplexidade e de uma confusão, mas as perturbações de orientação no tempo e no espaço e quanto à pessoa não são suficientemente constantes ou graves para responder aos critérios de um delirium de origem orgânica. Em geral estes transtornos se curam completamente em menos de poucos meses, frequentemente em algumas semanas ou mesmo dias. Quando o transtorno persiste o diagnóstico deve ser modificado. O transtorno pode estar associado a um “stress” agudo (os acontecimentos geralmente geradores de “stress” precedem de uma a duas semanas o aparecimento do transtorno).

Sintomas: delírios, alucinações e alterações perceptivas e grave alteração do comportamento.

Incidências: (não encontrei).

Causas: Episódios psicóticos agudos podem ocorrer em diversas situações, por causas diferentes. Podem representar, por exemplo, um primeiro surto de esquizofrenia, um primeiro episódio maníaco ou depressivo grave, um estado transitório causado por substâncias psicoativas ou um estado de delirium.

Subtipos:
F23.0 Transtorno psicótico agudo polimorfo, sem sintomas esquizofrênicos
Transtorno psicótico agudo que comporta alucinações, ideias delirantes ou perturbações das percepções manifestas, mas muito variáveis, mudando de dia para dia ou mesmo de hora para hora. Existe frequentemente uma desordem emocional que se acompanha de sentimentos intensos e transitórios de felicidade ou de êxtase, ou de ansiedade e de irritabilidade. O polimorfismo e a instabilidade são a característica do quadro clínico. As características psicóticas não correspondem aos critérios diagnósticos da esquizofrenia. Estes transtornos tem frequentemente um início repentino, desenvolvendo-se em geral rapidamente no espaço de poucos dias e desaparecendo também em geral rapidamente, sem recidivas. Quando os sintomas persistem, o diagnóstico deve ser modificado pelo de transtorno delirante persistente.

F23.1 Transtorno psicótico agudo polimorfo, com sintomas esquizofrênicos
Transtorno psicótico agudo caracterizado pela presença do quadro clínico polimorfo e instável descrito em F23.0, mas comportando além disso, e apesar da instabilidade do quadro clínico, alguns sintomas tipicamente esquizofrênicos, presentes durante a maior parte do tempo. Quando os sintomas esquizofrênicos persistem, o diagnóstico deve ser modificado pelo de esquizofrenia.

F23.2 Transtorno psicótico agudo de tipo esquizofrênico (schizophrenia-like)
Transtorno psicótico agudo caracterizado pela presença de sintomas psicóticos relativamente estáveis e justificam o diagnóstico de esquizofrenia, mas que persistem por menos de um mês. As características polimorfas instáveis descritas em F23.0 estão ausentes. Quando os sintomas persistem, o diagnóstico deve ser modificado pelo de esquizofrenia.

F23.3 Outros transtornos psicóticos agudos, essencialmente delirantes
Transtorno psicótico agudo, caracterizado pela presença de ideias delirantes ou de alucinações relativamente estáveis, mas que não justificam um diagnostico de esquizofrenia. Quando as ideias delirantes persistem, o diagnóstico deve ser modificado pelo de transtorno delirante persistente.

F23.8 Outros transtornos psicóticos agudos e transitórios
Todos os outros transtornos psicóticos agudos especificados, para os quais não há evidência de uma etiologia orgânica.

F23.9 Transtorno psicótico agudo e transitório não especificado

Tratamentos medicamentosos mais comumente usados: Clorpromazina e Prometazina.

F24 Transtorno delirante induzido

Descrição: Transtorno delirante partilhado por duas ou mais pessoas ligadas muito estreitamente entre si no plano emocional. Apenas uma dessas pessoas apresenta um transtorno psicótico autêntico. Também conhecido como Folie à deux (Loucura a dois).

Sintomas: as ideias delirantes são induzidas na(s) outra(s) e são habitualmente abandonadas em caso de separação das pessoas.

Incidências e Causas: É mais frequente em famílias que vivam juntas (principalmente pais e filhos próximos) pelos fatores genéticos, ambientais, interpessoais, sociais e culturais compartilhados entre eles e envolvidos na formação de uma psicose.

Subtipos: Folie imposée: Ideias delirantes são impostas a uma pessoa saudável e desaparece quando separado do causador.

Folie communiquée: Após longo período de resistência a pessoa saudável, mas persiste quando separado do causador.

Folie simultannée: Quando ambos psicóticos de gravidade similar trocam idéias delirantes. Comum em hospitais psiquiátricos. Associado a vulnerabilidade e fatores depressivos.

Folie induite: Um paciente com psicose mais grave adiciona novas idéias delirantes a um paciente com psicose mais moderada.

Tratamentos medicamentosos mais comumente usados: Frequentemente é necessário começar o tratamento separando os dois envolvidos. O caso primário geralmente exige tratamento com antipsicóticos, acompanhamento psicoterápico e terapia organizacional. Dependendo do caso o caso secundário também pode exigir medicação, mas caso o afastamento seja suficiente pode-se restringir o tratamento ao acompanhamento psicológico semanal.

F25 Transtornos esquizoafetivos

Descrição: O transtorno esquizoafetivo pode ser caracterizada por um ou mais episódios simultâneos ou alternados de transtorno de humor e psicose. A psicose é definida por paranóia, delírios e alucinações. Os indivíduos com o transtorno podem experienciar sintomas psicóticos antes, durante ou (comumente) depois de seus episódios mistos, depressivos ou maníacos.

Sintomas: O transtorno esquizoafetivo mais comumente afeta a cognição e as emoções. Distorções na percepção e cognição desordenadas, como por exemplo alucinações auditivas, delírios, paranóia e ou discurso e pensamentos desordenados como disfunção social e ocupacional são sinais típicos. A divisão em tipos depressivo e bipolar é baseada no critério de se o paciente já teve um episódio maníaco, hipomaníaco ou misto alguma vez. Os sitomas geralmente começam no início da idade adulta.
Esses pensamentos anormais podem resultar em comportamentos não usuais pelo indivíduo durante seus períodos sintomáticos. O indivíduo pode não racionalmente dar-se conta de suas ações, até o início do tratamento, e pode depois ficar chocado quando perceber o que fez. Eles também podem sofrer de fobias que podem também se manifestar como delírios.
Dificuldades com executar funções podem também ser um problema para os indivíduos esquizoafetivos. Isso pode incluir dificuldades de concentração, atenção, raciocínio lógico e controle de impulsos.Alucinações envolvendo todos os cinco sentidos podem também ocorrer no transtorno esquizoafetivo não tratado ou tratado com doses inferiores ou medicações ineficazes.

Incidências: 0,3 a 5,7 pessoas por 100.000 habitantes.

Causas: Problemas durante a gestação e parto, como falta de nutrição adequada, falta de oxigenação no parto, infecção da mãe por vírus durante a gestação (principalmente o vírus Influenza), histórico familiar de esquizofrenia ou transtorno bipolar, uso de drogas na adolescência (principalmente de maconha) são fatores conhecidos. A genética parece ser o principal fator em 40 a 70% dos casos de transtorno bipolar e 60 a 85% dos casos de esquizofrenia, com base em amplos estudos de hereditariedade.
Existem evidências de anormalidades no metabolismo da tetrahidrobiopterina (BH4), dopamina e glutamato em pessoas com esquizofrenia e transtorno esquizoafetivo. Indivíduos com transtorno esquizoafetivo têm um prognóstico mais favorável que indivíduos com esquizofrenia, mas menos favorável quando comparado àqueles apenas com transtornos de humor. Quanto às causas, genética, infância, neurobiologia, processos psicológicos e sociais são fatores contribuidores. Algumas drogas ilícitas (como anfetaminas, metanfetaminas epsicotrópicos) ou mesmo medicamentos poder trazer ou piorar os sintomas.

Subtipos: Os sintomas afetivos podem ser característicos de um episódio maníaco, de depressão nervosa ou de ambos (episódio misto), e esses componentes de humor se alternam ou ocorrem em conjunto com distorções na percepção (psicose). A classificação segundo o CID-10 é:
• F25.0 Transtorno esquizoafetivo do tipo maníaco;
• F25.1 Transtorno esquizoafetivo do tipo depressivo;
• F25.2 Transtorno esquizoafetivo do tipo misto.


Tratamentos medicamentosos mais comumente usados: O tratamento farmacológico mais eficaz utilizado atualmente é baseado em antipsicóticos atípicos combinado com um estabilizante de humor ou um antidepressivo, ou ambos. Caso os efeitos colaterais estejam causando muito incômodo existem diversas alternativas dentre esses medicamentos que podem causar menos efeito colateral e podem ser substituídos para obterem a melhor reação de cada organismo. Dentre os medicamentos neurolépticos (remédios para diminuir delírios e alucinações e melhorar o humor) mais eficientes, e com menos efeitos colaterais estão: Risperidona, Olanzapina,Clozapina;Quetiapina; e Ziprasidona.
Medicamentos não-tradicionais foram mais eficientes especialmente na recuperação da capacidade funcional, tiveram menos efeitos colaterais e foram menos abandonados que medicamentos tradicionais como haloperidol. Em combinação com lítio ou valproato tiveram efeito satisfatório no tratamento de sintomas maníacos.

F28 Outros transtornos psicóticos não-orgânicos

Descrição: Transtornos delirantes ou alucinatórios que não justificam os diagnósticos de esquizofrenia, dos transtornos delirantes persistentes, dos transtornos psicóticos agudos e transitórios, de um episódio maníaco do tipo psicótico (F30.2), ou de um episódio depressivo grave.




F29 Psicose não-orgânica não especificada

Descrição: As psicoses não orgânicas são aquelas de etipotogenia ainda desconhecida, estão entre elas estão as psicoses ou transtornos mentais do tipo esquizofrênicas, depressões, manias, toc, sindrome de pânico, etc. Acredita-se que estes distúrbios mentais tem algo a ver com predisposição genética e alterações dos neurotransmissores ( serotonina, noradrenalina e outros).Quando se diz não especificada esta se referindo ao fato de não ser uma psicose que apresenta sintomas claros como por exemplo os quadros esquizoafetivos. As psicoses orgânicas tem etiologia mais ou menos clara: os quadros alucinatórios causados por uso imoderado de drogas tipo álcool, cocaína, etc, ou quadro orgânicos como demência senil, doença de Alzheimer, retardo mental devido a complicações na gestação ou parto, epilepsias, e outras.



F30-F39 Transtornos do humor [afetivos]

F30 Episódio maníaco

Descrição: Transtornos nos quais a perturbação fundamental é uma alteração do humor ou do afeto, no sentido de uma depressão (com ou sem ansiedade associada) ou de uma elação. A alteração do humor em geral se acompanha de uma modificação do nível global de atividade, e a maioria dos outros sintomas são secundários, a estas alterações do humor e da atividade, quer facilmente compreensíveis no contexto destas alterações. A maioria destes transtornos tende a ser recorrentes e a ocorrência dos episódios individuais pode frequentemente estar relacionada com situações ou fatos estressantes.

F30 Episódio maníaco

Descrição: Mania é um distúrbio mental definido como um período distinto, durante o qual existe um humor anormal e persistentemente elevado, expansivo ou irritável.[1] É característico, embora não exclusivo, do transtorno bipolar no qual os episódios maníacos alternam com episódios depressivos. Pode também ocorrer devido a intoxicação por drogas (especialmente estimulantes como cocaína ou metanfetamina) ou como efeitos imprevisíveis de medicamentos (especialmente Inibidor seletivo de recaptação de serotonina).

Sintomas: Durante um episódio maníaco há uma elevação anormal e persistente do humor (euforia). A exaltação do humor é acompanhada por aumento nos níveis de energia, que resulta em hiperatividade, fala pressionada, e necessidade de sono diminuída. A atenção não consegue ser mantida e há uma frequente distração acentuada. A autoestima é frequentemente aumentada com ideias grandiosas e extrema autoconfiança. A perda de inibições sociais pode resultar em um comportamento que é imprudente, temerário ou inadequado às circunstâncias, e fora do caráter. Os principais sintomas desse transtorno sem sintomas psicóticos (F30.1) são: Humor elevado duradouro (euforia);Energia para atividades físicas e mentais aumentada; Sentimento intenso de bem-estar e satisfação física e psíquica; Aumento da sociabilidade e do desejo de falar, da familiaridade e/ou da energia sexual; Redução da necessidade de sono; Pensamento acelerado com fuga de ideias; Irritabilidade e impaciência; Aumento da agressividade; Dificuldade em manter a atenção e concluir atividades; Sexualidade exacerbada; Ideias de grandeza e superestima; Condutas racionalmente imprudentes ou inapropriadas; Impulsividade e pouco autocontrole.
Pode ser acompanhado também de sintomas psicóticos (F30.2) : Ideias delirantes (megalomania, em geral de grandeza); Alucinações (como ouvir vozes e sons ou sensações táteis falsas); Fala rápida que pode se tornar incompreensível;

Incidências: Estima-se que pelo menos 5% da população mundial já tenham apresentado episódios maníacos.

Causas: As causas são tanto genéticas e/ou congênitas quanto psicossociais com 50% dos portadores apresentando pelo menos um familiar afetado, e com filhos de portadores apresentam risco aumentado de desenvolver a doença, quando comparados com a população geral.

Subtipos: Mania sem sintomas psicóticos (F30.1); Mania com sintomas psicóticos (F30.2). (Sintomas descritos acima)

Tratamentos medicamentosos mais comumente usados: O tratamento psiquiátrico geralmente é feito com sais de lítio ou com um estabilizante de humor. Caso existam sintomas de alucinação ou delírio pode ser usado também um neuroléptico. Também pode ser indicado o uso de Olanzapina.

F31 Transtorno afetivo bipolar

Descrição: O Transtorno Afetivo Bipolar leva este nome por causa da alternância de dois estados emocionais básicos: a alegria e a tristeza. Assim como acontece nas doenças físicas, que muitas vezes representam excesso ou falta de algum elemento normalmente presente no corpo, muitas doenças da mente também representam alterações para mais ou para menos de aspectos emocionais comuns. O equivalente doentio da alegria recebe o nome de mania e o da tristeza, depressão. Estes equivalentes doentios dos aspectos emocionais constituem o que se denomina polos. Como são dois, entende-se o termo bipolar. O estado de bipolaridade é característico do chamado transtorno afetivo bipolar.

Sintomas: O transtorno bipolar é caracterizado pela alternância de fases de tristeza e alegria doentias, conhecidas respectivamente como depressão e mania, de onde vem o antigo nome de Psicose Maníaco Depressiva. Diferente do que ocorre nas situações normais, estas alternâncias não acontecem em resposta a estímulos externos que explicariam os estados emocionais. Em alguns casos, essas alternâncias podem ocorrer no mesmo dia ou na mesma hora. Mas estes são casos excepcionais, não é o mais comum. Por este motivo, o diagnóstico destes casos nem sempre é fácil.

Incidências: o Transtorno Bipolar é relativamente comum e tratável, atinge de igual maneira homens e mulheres em torno de 1% a 4,9% da população, se considerarmos também a hipomania. Caso esta não seja considerada, a incidência do Transtorno Bipolar cai para 1 a 2% da população, e, geralmente, se inicia entre os 20 e 30 anos de idade. Homens e mulheres são afetados pelo Transtorno Bipolar quase da mesma maneira. Há poucos casos do transtorno afetando crianças e pessoas mais idosas.

Causas: os conhecimentos das reais causas do Transtorno Bipolares ainda são incertos, mas como para todos os transtornos, suas possíveis causas seriam de fundo biopsicossocial, ou seja, biológicas, psicológicas e sociais. Causas Biológicas: Problemas de neurotransmissores, principalmente nos sistemas noradrenérgico, serotonérgico e dopaminérgico. Causas Genéticas e hereditárias: Quando um dos pais apresenta Transtorno Bipolar, existe uma possibilidade de 25 a 50% dos filhos sofrerem do Transtorno Bipolar. Quando maior for a distância de parentesco, menores as possibilidades do Transtorno Bipolar aparecer. Causas Psicossociais: Os acontecimentos vitais estressores podem preceder os primeiros episódios de Transtorno do Humor e podem provocar alterações nos estados funcionais dos vários sistemas neurotransmissores. Assim sendo, dificuldades financeiras, doença na família, perda de uma pessoa importante, desestruturação familiar, internações psiquiátricas, entre outros, poderiam contribuir para o desencadeamento da doença. Uso de drogas e de substâncias psicoativas: drogas estimulantes como a cocaína, as metanfetaminas e anfetaminas podem precipitar o aparecimento do transtorno bipolar em pacientes mais sujeitos e sensíveis ao transtorno.

Subtipos: recentemente, passou-se a classificar o Transtorno Bipolar em quatro tipos diferentes:

Transtorno Bipolar Tipo I: Períodos de mania, com humor maníaco, ou seja, elevado e expansivo, que podem causar ao portador prejuízos no trabalho, na família e nas relações sociais, seguidos por períodos de humor deprimido, com sentimentos de baixa autoestima, desprazer, desmotivação, alterações do sono e da fome. Comumente, o estado maníaco pode durar vários dias ou pelo menos uma semana, e os períodos de depressão duram de algumas semanas a vários meses.

Transtorno Bipolar Tipo II: Com períodos de hipomania, com estados de humor elevado e às vezes até agressivo, mas bem mais leves, sem prejuízos familiares, sociais e no trabalho.

Transtorno Bipolar Misto: – Períodos mistos, nos quais, num mesmo dia se alternam depressão e mania. Em poucas horas a pessoa pode chorar, ficar triste, com sentimentos de desvalia e desprazer e, no momento seguinte, estar eufórica, sentindo-se capaz de tudo. Fica muito falante, impulsivo e agressiva verbalmente, mas sem agredir fisicamente.

Transtornos Ciclotímicos: – Períodos nos quais há uma alteração crônica e flutuante do humor, marcada por vários períodos de sintomas maníacos e vários sintomas depressivos, que se alternam. Contudo, não se mostram suficientemente graves, nem ocorrem em quantidade suficiente para se afirmar que se trata de depressão e de mania. Este tipo de transtorno pode ser confundido com pessoa, “de lua”.

Tratamentos medicamentosos mais comumente usados: Os medicamentos psicotrópicos utilizados em Psiquiatria no tratamento dos transtornos bipolares compreendem várias categorias que genericamente recebem o nome de “estabilizadores do humor”. O mais utilizado entre essas medicações é o sal de lítio, que nos últimos anos tem sido especialmente estudado, com várias descobertas de grande importância para o tratamento do transtorno bipolar.

F32 Episódios depressivos

Descrição: O Episódio Depressivo é caracterizado por um único episódio em que o indivíduo apresenta humor deprimido ou perda de interesse ou prazer por quase todas as atividades por pelo menos duas semanas. Além desta característica essencial, o indivíduo deve também experimentar pelo menos quatro sintomas que irão classificar o episódio como leve, moderado ou grave.

Sintomas: A depressão não é apenas uma sensação de tristeza, fraqueza ou “baixo astral”, mas sim uma doença que atinge o corpo como um todo, que afeta o humor, os pensamentos, a saúde e o comportamento. Normalmente o indivíduo se vê em uma situação sem saída, e então desiste da “luta”, se paralisa frente a uma dificuldade ou adversidade. Nos episódios típicos de cada um dos três graus de depressão: leve, moderado ou grave, o paciente apresenta um rebaixamento do humor, redução da energia e diminuição da atividade. Existe alteração da capacidade de experimentar o prazer, perda de interesse, diminuição da capacidade de concentração, associadas em geral à fadiga importante, mesmo após um esforço mínimo. Observam-se em geral problemas do sono e diminuição do apetite. Existe quase sempre uma diminuição da autoestima e da autoconfiança e frequentemente ideias de culpabilidade e ou de indignidade, mesmo nas formas leves. O humor depressivo varia pouco de dia para dia ou segundo as circunstâncias e pode se acompanhar de sintomas ditos "somáticos", por exemplo, perda de interesse ou prazer, despertar matinal precoce, várias horas antes da hora habitual de despertar, agravamento matinal da depressão, lentidão psicomotora importante, agitação, perda de apetite, perda de peso e perda da libido. O número e a gravidade dos sintomas permitem determinar três graus de um episódio depressivo: leve, moderado e grave.

Incidências: Mais comum dos 15 aos 44 anos de idade. Hoje existe cerca de 17 milhões de pessoas com depressão no Brasil e de cada 100 acometidos por esta patologia, 15 cometem suicídio. Há a estimativa de que no ano de 2020 ela possa atingir o segundo lugar de causa de comprometimento funcional, perdendo apenas para as doenças coronarianas.

Causas: É uma doença multicausal; a combinação de fatores genéticos, psicológicos e ambientais está presente em seu quadro.

Subtipos:
F32.0 Episódio depressivo leve: Geralmente estão presentes ao menos dois ou três dos sintomas citados anteriormente. O paciente usualmente sofre com a presença destes sintomas, mas provavelmente será capaz de desempenhar a maior parte das atividades.

F32.1 Episódio depressivo moderado: Geralmente estão presentes quatro ou mais dos sintomas citados anteriormente e o paciente aparentemente tem muita dificuldade para continuar a desempenhar as atividades de rotina.

F32.2 Episódio depressivo grave sem sintomas psicóticos: Episódio depressivo onde vários dos sintomas são marcantes e angustiantes, tipicamente a perda da autoestima e ideias de desvalia ou culpa. As ideias e os atos suicidas são comuns e observa-se em geral uma série de sintomas "somáticos".

F32.3 Episódio depressivo grave com sintomas psicóticos: Episódio depressivo correspondente á descrição de um episódio depressivo grave (F32.2) mas acompanhado de alucinações, ideias delirantes, de uma lentidão psicomotora ou de estupor de uma gravidade tal que todas as atividades sociais normais tornam-se impossíveis; pode existir o risco de morrer por suicídio, de desidratação ou de desnutrição. As alucinações e os delírios podem não corresponder ao caráter dominante do distúrbio afetivo.

F32.8 Outros episódios depressivos: Depressão atípica.

F32.9 Episódio depressivo não especificado.

Tratamentos medicamentosos mais comumente usados: Os antidepressivos mais populares são os chamados inibidores seletivos de recaptação de serotonina (ISRSs). Entre eles: Fluoxetina (Prozac), Citalopram (Celexa), Sertralina (Zoloft), Paroxetina (Paxil), Escitalopram (Lexapro).

F33 Transtorno depressivo recorrente

Descrição: Transtorno caracterizado pela ocorrência repetida de episódios depressivos (Depressão), com episódios independentes de exaltação de humor e de aumento de energia (mania). O transtorno pode, contudo, comportar breves episódios caracterizados por um ligeiro aumento de humor e da atividade (hipomania), sucedendo imediatamente a um episódio depressivo. As formas mais graves do Transtorno Depressivo Recorrente apresentam numerosos pontos comuns com os conceitos anteriores da depressão maníaco-depressiva (melancolia, depressão vital e depressão endógena). O primeiro episódio pode ocorrer em qualquer idade, da infância à senilidade, sendo que o início pode ser agudo ou insidioso e a duração variável de algumas semanas a alguns meses. Em caso de ocorrência de um episódio maníaco, o diagnóstico deve ser alterado pelo de Transtorno Bipolar.

Sintomas: Os sintomas depressivos (tristeza, choro fácil e/ou frequente, apatia, sentimento de falta de sentimento, sentimento de tédio, irritabilidade aumentada, desespero, desesperança, culpabilidade, transtorno de sono e apetite) devem estar presentes em pelo menos duas semanas, e não mais do que dois anos, sem interrupção. Os episódios, geralmente, têm duração média de seis meses e variam no minimo de três e máximo de 12 meses. Pode ser classificado de acordo com a intensidade [leve, moderado, grave] e com a importância clínica dos sintomas. Quando o paciente apresenta vários episódios depressivos, com ausência de episódios maníacos, diagnostica-se, portanto, transtorno depressivo recorrente.

Incidências: de cerca de 0,8% da população geral.

Causas: podem ser desencadeados por alguma vivencia traumática, mas via de regra, surgem sem uma causa vivencial aparente.

Subtipos:
F33.0 Transtorno depressivo recorrente, episódio atual leve: Transtorno caracterizado pela ocorrência repetida de episódios depressivos, sendo o episódio atual leve, tal como descrito em F32.0, na ausência de qualquer antecedente de mania.

F33.1 Transtorno depressivo recorrente, episódio atual moderado: Transtorno caracterizado pela ocorrência repetida de episódios depressivos, sendo o episódio atual de moderada gravidade, tal como descrito em F32.1, na ausência de qualquer antecedente de mania.

F33.2 Transtorno depressivo recorrente, episódio atual grave sem sintomas psicóticos: Transtorno caracterizado pela ocorrência repetida de episódios depressivos, sendo o episódio atual grave, sem sintomas psicóticos, tal como descrito em F32.2, na ausência de qualquer antecedente de mania.

F33.3 Transtorno depressivo recorrente, episódio atual grave com sintomas psicóticos: Transtorno caracterizado pela ocorrência repetida de episódios depressivos, sendo o episódio atual grave, com sintomas psicóticos, tal como descrito em F32.3, na ausência de qualquer antecedente de mania.

F33.4 Transtorno depressivo recorrente, atualmente em remissão: O paciente teve no passado dois ou mais transtornos depressivos como descritos acima (F33.0-F33.3) mas não apresenta atualmente nenhum sintoma depressivo e isto há vários meses.

F33.8 Outros transtornos depressivos recorrentes.

F33.9 Transtorno depressivo recorrente sem especificação.

Tratamentos medicamentosos mais comumente usados: São utilizados antidepressivos, tais como: Fluoxetina (Prozac), Citalopram (Celexa), Sertralina (Zoloft), Paroxetina (Paxil), Escitalopram (Lexapro).

F34 Transtornos de humor [afetivos] persistentes

Descrição: Transtornos do humor persistentes e habitualmente flutuantes, nos quais os episódios individuais não são suficientemente graves para justificar um diagnóstico de episódio maníaco ou de episódio depressivo leve. Como persistem por anos e, por vezes, durante a maior parte da vida adulta do paciente, levam contudo a um sofrimento e à incapacidade consideráveis. Em certos casos, episódios maníacos ou depressivos recorrentes ou isolados podem se superpor a um transtorno afetivo persistente.

Subtipos:
F34.0 Ciclotimia: Instabilidade persistente do humor que comporta numerosos períodos de depressão ou de leve elação nenhum deles suficientemente grave ou prolongado para responder aos critérios de um transtorno afetivo bipolar (F31.-) ou de um transtorno depressivo recorrente (F33.-). O transtorno se encontra frequentemente em familiares de pacientes que apresentam um transtorno afetivo bipolar. Algumas pessoas ciclotímicas apresentarão elas próprias ulteriormente um transtorno afetivo bipolar.

F34.1 Distimia: Rebaixamento crônico do humor, persistindo ao menos por vários anos, mas cuja gravidade não é suficiente ou na qual os episódios individuais são muito curtos para responder aos critérios de transtorno depressivo recorrente grave, moderado ou leve (F33.-).

Tratamentos medicamentosos mais comumente usados: Antidepressivos e Lítio (estabilizador de humor).

F38 Outros transtornos do humor [afetivos]

Descrição: Quaisquer outros transtornos de humor que não justificam ser classificados em F30-F34 por não apresentarem gravidade ou duração suficientes.



F40-F48 Transtornos neuróticos, transtornos relacionados com o “stress” e transtornos somatoformes

F40 Transtornos fóbico-ansiosos

Descrição: Grupo de transtornos nos quais uma ansiedade é desencadeada exclusiva ou essencialmente por situações nitidamente determinadas que não apresentam atualmente nenhum perigo real. Estas situações são, por esse motivo, evitadas ou suportadas com temor. As preocupações do sujeito podem estar centradas sobre sintomas individuais tais como palpitações ou uma impressão de desmaio, e frequentemente se associam com medo de morrer, perda do autocontrole ou de ficar louco. A simples evocação de uma situação fóbica desencadeia em geral ansiedade antecipatória. A ansiedade fóbica frequentemente se associa a uma depressão. Para determinar se convém fazer dois diagnósticos (ansiedade fóbica e episódio depressivo) ou um só (ansiedade fóbica ou episódio depressivo), é preciso levar em conta a ordem de ocorrência dos transtornos e as medidas terapêuticas que são consideradas no momento do exame.

Sintomas: falta de ar, tremores, sensação de desmaio, palpitações, mãos frias, etc. Normalmente este tipo de ansiedade está associado ao medo de um mal súbito, medo de morrer, perder o autocontrole ou chegar à loucura. A perspectiva de passar pela situação fóbica geralmente gera uma ansiedade antecipatória. É importante diferenciar a Fobia sintoma do Transtorno Fóbico Fobia como sintoma: faz parte da alteração do pensamento, se caracteriza por um medo imotivado e patológico, ilógico e especificamente orientado para um determinado objeto ou situação. Geralmente está associada a uma intensa ansiedade e outros sintomas autossômicos (citados anteriormente). Transtorno Fóbico-Ansioso: é caracterizado pela prevalência da Fobia sintoma e os demais sintomas de ansiedade. O medo anormal, desproporcional e persistente diante de um objeto ou situação específica é predominante nos quadros fóbico-ansiosos.

Incidências: Geralmente apresenta seus primeiros sintomas ainda na adolescência, sendo que 90% dos casos o quadro se apresenta antes dos 25 anos de idade, afetando igualmente homens e mulheres.

Causas: pode ser o fato de que associamos perigo a coisas ou situações que não podemos prever ou controlar, como um raio numa tempestade ou o ataque de um animal. Há também uma influência social.

Subtipos:

F40.0 Agorafobia: Grupo relativamente bem definido de fobias relativas ao medo de deixar seu domicílio, medo de lojas, de multidões e de locais públicos, ou medo de viajar sozinho em trem, ônibus ou avião. A presença de um transtorno de pânico é frequente no curso dos episódios atuais ou anteriores de agorafobia. Entre as características associadas, acham-se frequentemente sintomas depressivos ou obsessivos, assim como fobias sociais. As condutas de evitação comumente são proeminentes na sintomatologia e certos agorafóbicos manifestam pouca ansiedade dado que chegam a evitar as situações geradoras de fobia.

F40.1 Fobias sociais: Medo de ser exposto à observação atenta de outrem e que leva a evitar situações sociais. As fobias sociais graves se acompanham habitualmente de uma perda da autoestima e de um medo de ser criticado. As fobias sociais podem se manifestar por rubor, tremor das mãos, náuseas ou desejo urgente de urinar, sendo que o paciente por vezes está convencido que uma ou outra destas manifestações secundárias constitui seu problema primário. Os sintomas podem evoluir para um ataque de pânico.

F40.2 Fobias específicas (isoladas): Fobias limitadas a situação altamente específicas tais como a proximidade de determinados animais, locais elevados, trovões, escuridão, viagens de avião, espaços fechados, utilização de banheiros públicos, ingestão de determinados alimentos, cuidados odontológicos, ver sangue ou ferimentos. Ainda que a situação desencadeante seja inofensiva, o contato com ela pode desencadear um estado de pânico como na agorafobia ou fobia social.

F40.8 Outros transtornos fóbico-ansiosos

F40.9 Transtorno fóbico-ansioso não especificado.

Tratamentos medicamentosos mais comumente usados: Os medicamentos mais utilizados pertencem ao grupo dos antidepressivos; os ansiolíticos também são frequentemente indicados.

F41 Outros transtornos ansiosos

Descrição: Transtornos caracterizados essencialmente pela presença da manifestações ansiosas que não são desencadeadas exclusivamente pela exposição a uma situação determinada. Podem se acompanhar de sintomas depressivos ou obsessivos, assim como de certas manifestações que traduzem uma ansiedade fóbica, desde que estas manifestações sejam, contudo, claramente secundárias ou pouco graves.

F41.0 Transtorno de pânico [ansiedade paroxística episódica]
Descrição: A característica essencial deste transtorno são os ataques recorrentes de uma ansiedade grave (ataques de pânico), que não ocorrem exclusivamente numa situação ou em circunstâncias determinadas mas de fato são imprevisíveis. Como em outros transtornos ansiosos, os sintomas essenciais comportam a ocorrência brutal de palpitação e dores torácicas, sensações de asfixia, tonturas e sentimentos de irrealidade (despersonalização ou desrealização). Existe, além disso, frequentemente um medo secundário de morrer, de perder o autocontrole ou de ficar louco. Não se deve fazer um diagnóstico principal de transtorno de pânico quando o sujeito apresenta um transtorno depressivo no momento da ocorrência de um ataque de pânico, uma vez que os ataques de pânico são provavelmente secundários à depressão neste caso.

Sintomas: Essa ansiedade é acompanhada de vários sintomas somáticos: palpitações, dor no peito, tontura, falta de ar, vertigens, sudorese excessiva, sensação de estar "aérea”, sensação de desmaio, formigamentos no corpo, ondas de calor e frio, náuseas, e outros. Em geral duram alguns minutos, raramente mais que uma hora.

Incidências: atinge cerca de 1 a 2 % da população, em geral inicia-se na adolescência ou no adulto jovem, sendo mais frequente nas mulheres.

Causas: Suas causas são desconhecidas. Há fatores predisponentes e fatores desencadeantes da doença. A hereditariedade parece ter um peso, na medida que parentes de portadores de TP tem maior chance de apresentar a doença. Alguns fatores psicológicos ligados à; primeira infância, especialmente vivências de ansiedade de separação parecem tornar os indivíduos vulneráveis. Em indivíduos predispostos é possível desencadear ataques de pânico por meio de medicações (isoproterol, lactato) demonstrando que eles são vulneráveis à doença.

Subtipos:
F41.1 Ansiedade generalizada: Ansiedade generalizada e persistente que não ocorre exclusivamente nem mesmo de modo preferencial numa situação determinada (a ansiedade é “flutuante”). Os sintomas essenciais são variáveis, mas compreendem nervosismo persistente, tremores, tensão muscular, transpiração, sensação de vazio na cabeça, palpitações, tonturas e desconforto epigástrico. Medos de que o paciente ou um de seus próximos irá brevemente ficar doente ou sofrer um acidente são frequentemente expressos.

F41.2 Transtorno misto ansioso e depressivo: Esta categoria deve ser utilizada quando o sujeito apresenta ao mesmo tempo sintomas ansiosos e sintomas depressivos, sem predominância nítida de uns ou de outros, e sem que a intensidade de uns ou de outros seja suficiente para justificar um diagnóstico isolado. Quando os sintomas ansiosos e depressivos estão presentes simultaneamente com uma intensidade suficiente para justificar diagnósticos isolados, os dois diagnósticos devem ser anotados e não se faz um diagnóstico de transtorno misto ansioso e depressivo. Depressão ansiosa (leve ou não-persistente).

F41.3 Outros transtornos ansiosos mistos: Sintomas ansiosos mistos se acompanham de características de outros transtornos. Nenhum tipo de sintoma é suficientemente grave para justificar diagnósticos isolados.

F41.8 Outros transtornos ansiosos especificados: Histeria de angústia.

F41.9 Transtorno ansioso não especificado.

Tratamentos medicamentosos mais comumente usados: antidepressivos tricíclicos, os Inibidores Seletivos da Recaptação da Serotonina e os antidepressivos atípicos.

F42 Transtorno obsessivo-compulsivo

Descrição: O transtorno obsessivo compulsivo (TOC) caracteriza-se por dois tipos de manifestações: as obsessões ou ideias obsessivas e as compulsões ou rituais compulsivos. As obsessões são ideias ou imagens que vem à mente da pessoa independente de sua vontade repetidamente. Embora a pessoa saiba que são ideias suas, sem sentido, não consegue evitar de pensá-las.

Sintomas: Os principais sinais e sintomas do transtorno obsessivo-compulsivo consistem basicamente em duas partes, que dão nome à doença: obsessão e compulsão. No entanto, é comum encontrar pessoas que desenvolvam apenas um dos tipos de sintomas. Sintomas de obsessão: Uma obsessão, dentro do transtorno obsessivo-compulsivo, consiste em uma série de imagens, pensamentos e ideias que vêm à cabeça da pessoa insistente e repetidamente, sem que ela possa controlar. Geralmente, a obsessão vem seguida da compulsão, que nada mais é do que uma forma de se livrar da própria ansiedade por meio de rituais e comportamentos repetitivos. No entanto, a obsessão em uma pessoa com TOC também pode manifestar-se isoladamente. Os casos obsessivos mais comuns na doença são: Obsessão por limpeza, que são, geralmente, resultado de um medo irracional de contaminação ou sujeira; Fixação por uma organização rígida; que segue obrigatoriamente uma determinada ordem e simetria; Pensamentos agressivos, de autoagressão ou outros pensamentos de carga negativa; Pensamentos indesejados, incluindo de temas sexuais ou religiosos. Sintomas de compulsão: Em pessoas com TOC, compulsões são comportamentos repetitivos que o paciente se sente compelido a executar para controlar, prevenir ou reduzir a ansiedade causada pelas obsessões ou, ainda, para impedir que algo terrível aconteça. O cumprimento dos rituais característicos do TOC, no entanto, não trazem prazer para a pessoa, sendo capaz de reduzir a ansiedade apenas temporariamente. Os sintomas de TOC geralmente começam gradualmente e oscilam em intensidade e gravidade durante toda a vida do paciente – dependendo, também, da eficácia do tratamento. Os picos geralmente acontecem quando a pessoa está vivenciando um período de estresse intenso. Alguns pacientes são capazes de compreender que suas obsessões e compulsões não fazem sentido, mas nem sempre é o caso. Sobretudo crianças têm dificuldade em reconhecer o que está errado.

Incidências: O transtorno obsessivo compulsivo inicia em geral no fim da adolescência, por volta dos 20 anos de idade e atinge cerca de 2 em cada 100 pessoas.

Causas: As principais teorias que cercam as causas da doença dizem respeito a três fatores: a biologia, a genética e o meio ambiente. Alguns pesquisadores acreditam que o TOC pode ser resultado de alterações ocorridas no corpo ou no cérebro da pessoa. Outros estudos apontam o distúrbio para uma pré-disposição genética – muito embora os genes que estariam eventualmente envolvidos não tenham sido identificados até agora. Fatores ambientais, como infecções, também parecem estar envolvidos. Pesquisas adicionais, no entanto, ainda precisam ser realizadas para corroborar essa hipótese.

Subtipos: Existem dois tipos de TOC: o transtorno obsessivo-compulsivo subclínico, caracterizado pelas obsessões e rituais que se repetem com frequência - mas que não interferem na qualidade de vida da pessoa e de quem está ao seu redor -, e o transtorno obsessivo-compulsivo propriamente dito, cuja ansiedade só pode ser aliviada e controlada por meio dos rituais, que são repetidos compulsivamente e que chegam a atrapalhar diretamente na vida de quem sofre com a doença e de pessoas próximas.

Tratamentos medicamentosos mais comumente usados: Certos medicamentos psiquiátricos podem ajudar a controlar as obsessões e compulsões do TOC. Em geral, costuma-se optar primeiramente por antidepressivos. Outras medicações psiquiátricas podem ser usadas também para tratar TOC. Os medicamentos mais usados para o tratamento de transtorno obsessivo-compulsivo são: Anafranil; Assert; Citalopram; Clomipramina; Escitalopram; Fluoxetina; Paroxetina e Sertralina.

F43 Reações ao “stress” grave e transtornos de adaptação

F43 Reações ao “stress” grave e transtornos de adaptação
Esta categoria difere das outras na medida que sua definição não repousa exclusivamente sobre a sintomatologia e a evolução, mas igualmente sobre a existência de um ou outro dos dois fatores causais seguintes: um acontecimento particularmente estressante desencadeia uma reação de "stress" aguda, ou uma alteração particularmente marcante na vida do sujeito, que comporta consequências desagradáveis e duradouras e levam a um transtorno de adaptação. Embora fatores de "stress" psicossociais ("life events") relativamente pouco graves possam precipitar a ocorrência de um grande número de transtornos classificados em outra parte neste capítulo ou influenciar-lhes o quadro clínico, nem sempre é possível atribuir-lhes um papel etiológico, quanto mais que é necessário levar em consideração fatores de vulnerabilidade, frequentemente idiossincráticos, próprios de cada indivíduo; em outros termos, estes fatores não são nem necessários nem suficientes para explicar a ocorrência e a natureza do transtorno observado.
Em contraste, para os transtornos reunidos aqui sob F43, admite-se que sua ocorrência é sempre a consequência direta de um "stress" agudo importante ou de um traumatismo persistente. O acontecimento estressante ou as circunstâncias penosas persistentes constituem o fator causal primário e essencial, na ausência do qual o transtorno não teria ocorrido. Os transtornos reunidos neste capítulo podem assim ser considerados como respostas inadaptadas a um "stress" grave ou persistente, na medida em que eles interferem com mecanismos adaptativos eficazes e entravam assim o funcionamento social.

F43.0 Reação aguda ao "stress"
Descrição: Reação aguda ao estresse também conhecida como Choque psíquico, Estado de crise, Fadiga de combate ou mais popularmente conhecido como "estado de choque" refere-se a uma resposta não adaptativa a uma situação de risco de vida ou perigo de entes queridos. É um transtorno transitório que ocorre após eventos de extremo estresse físico e/ou psíquico e geralmente desaparece em algumas horas ou em alguns dias.

Sintomas: A sintomatologia é tipicamente mista e variável pode começar com: Atordoamento; Confusão mental; Desorientação; Perda de sensibilidade ao ambiente; Intenso conflito entre memórias e emoções (dissociação); Estupor dissociativo(paralisia psicológica). O transtorno se acompanha frequentemente de somatização (Sintomas físicos exacerbados por causas psicológicas) associados a ansiedade de pânico como: Batimentos cardíacos acelerados; Transpiração excessiva; Ondas de calor; Agitação motora; Emoções exacerbadas e em conflito (tristeza, raiva, pânico, frustração...); Amnésia dissociativa parcial ou completa do episódio. Os sintomas se manifestam habitualmente nos minutos que seguem ao evento traumático e costumam diminuir em algumas horas dificilmente durando mais de três dias.

Incidências: Não encontrado.

Causas: As reações agudas ao estresse ocorrem normalmente depois de uma crise de vida inesperado, como um acidente, luto, problema familiar, más notícias, etc

Subtipos:
F43.1 Estado de “stress” pós-traumático: Este transtorno constitui uma resposta retardada ou protraída a uma situação ou evento estressante (de curta ou longa duração), de natureza excepcionalmente ameaçadora ou catastrófica, e que provocaria sintomas evidentes de perturbação na maioria dos indivíduos. Fatores predisponentes, tais como certos traços de personalidade (por exemplo compulsiva, astênica) ou antecedentes do tipo neurótico, podem diminuir o limiar para a ocorrência da síndrome ou agravar sua evolução; tais fatores, contudo, não são necessários ou suficientes para explicar a ocorrência da síndrome. Os sintomas típicos incluem a revivescência repetida do evento traumático sob a forma de lembranças invasivas (“flashbacks”), de sonhos ou de pesadelos; ocorrem num contexto durável de “anestesia psíquica” e de embotamento emocional, de retraimento com relação aos outros, insensibilidade ao ambiente, anedonia, e de evitação de atividades ou de situações que possam despertar a lembrança do traumatismo. Os sintomas precedentes se acompanham habitualmente de uma hiperatividade neurovegetativa, com hipervigilância, estado de alerta e insônia, associadas frequentemente a uma ansiedade, depressão ou ideação suicida. O período que separa a ocorrência do traumatismo do transtorno pode variar de algumas semanas a alguns meses. A evolução é flutuante, mas se faz para a cura na maioria dos casos. Em uma pequena proporção de casos, o transtorno pode apresentar uma evolução crônica durante numerosos anos e levar a uma alteração duradoura da personalidade.

F43.2 Transtornos de adaptação: Estado de sofrimento e de perturbação emocional subjetivos, que entravam usualmente o funcionamento e o desempenho sociais. Ocorrendo no curso de um período de adaptação a uma mudança existencial importante ou a um acontecimento estressante. O fator de “stress” pode afetar a integridade do ambiente social do sujeito (luto, experiências de separação) ou seu sistema global de suporte social e de valor social (imigração, estado de refugiado); ou ainda representado por uma etapa da vida ou por uma crise do desenvolvimento (escolarização, nascimento de um filho, derrota em atingir um objetivo pessoal importante, aposentadoria). A predisposição e a vulnerabilidade individuais desempenham um papel importante na ocorrência e na sintomatologia de um transtorno de adaptação; admite-se, contudo, que o transtorno não teria ocorrido na ausência do fator de “stress” considerado. As manifestações, variáveis, compreendem: humor depressivo, ansiedade, inquietude (ou uma combinação dos precedentes), sentimento de incapacidade de enfrentar, fazer projetos ou a continuar na situação atual, assim como certa alteração do funcionamento cotidiano. Transtornos de conduta podem estar associados, em particular nos adolescentes. A característica essencial deste transtorno pode consistir de uma reação depressiva, ou de uma outra perturbação das emoções e das condutas, de curta ou longa duração.

F43.8 Outras reações ao “stress” grave

F43.9 Reação não especificada a um “stress” grave.

Tratamentos medicamentosos mais comumente usados: Antidepressivos e ansiolíticos, como ISRS e benzodiazepínicos, podem ser utilizados durante o período que durar o estado de estresse pós-traumático para prevenir outros transtornos.

F44 Transtornos dissociativos [de conversão]

F44 Transtornos dissociativos [de conversão]
Descrição: Os transtornos dissociativos ou de conversão se caracterizam por uma perda parcial ou completa das funções normais de integração das lembranças, da consciência, da identidade e das sensações imediatas, e do controle dos movimentos corporais. Os diferentes tipos de transtornos dissociativos tendem a desaparecer após algumas semanas ou meses, em particular quando sua ocorrência se associou a um acontecimento traumático. A evolução pode igualmente se fazer para transtornos mais crônicos, em particular paralisias e anestesias, quando a ocorrência do transtorno está ligada a problemas ou dificuldades interpessoais insolúveis. No passado, estes transtornos eram classificados entre diversos tipos de “histeria de conversão”. Admite-se que sejam psicogênicos, dado que ocorrem em relação temporal estreita com eventos traumáticos, problemas insolúveis e insuportáveis, ou relações interpessoais difíceis. Os sintomas traduzem frequentemente a ideia que o sujeito se faz de uma doença física. O exame médico e os exames complementares não permitem colocar em evidência um transtorno físico (em particular neurológico) conhecido. Por outro lado, dispõe-se de argumentos para pensar que a perda de uma função é, neste transtorno, a expressão de um conflito ou de uma necessidade psíquica. Os sintomas podem ocorrer em relação temporal estreita com um “stress” psicológico e ocorrer frequentemente de modo brusco. O transtorno concerne unicamente quer a uma perturbação das funções físicas que estão normalmente sob o controle da vontade, quer a uma perda das sensações. Os transtornos que implicam manifestações dolorosas ou outras sensações físicas complexas que fazem intervir o sistema nervoso autônomo, são classificados entre os transtornos somatoformes. Há sempre a possibilidade de ocorrência numa data ulterior de um transtorno físico ou psiquiátrico grave.


F44.0 Amnésia dissociativa
Descrição: Amnésia dissociativa ou amnésia psicogênica é um transtorno dissociativo no qual ocorre repressão de memórias importantes. Essa perda da memórias, geralmente é relativa a acontecimentos importantes recentes e não ocorre por causa de transtorno mental orgânico como degeneração cerebral ou AVC nem por causada por inibidores do sistema nervoso central como álcool. A amnésia diz respeito habitualmente aos eventos traumáticos, tais como acidentes ou lutos imprevistos, e é mais frequente que seja parcial e seletiva.

Sintomas: Esse esquecimento deve ser importante o suficiente para ser não considerado mero esquecimento ou cansaço. Não se deve fazer este diagnóstico na presença de um transtorno cerebral orgânico, de uma intoxicação, ou de uma fadiga extrema. A pessoa pode esquecer alguns dias, meses ou até anos. Alternativamente ela pode esquecer informações pessoais como nome, idade, telefone, endereço, cidade natal, nome de parentes, períodos de anos ou eventos importantes. Caso a pessoa esqueça a maior parte da identidade pessoal ou tudo de uma vez passa a ser diagnosticada como fuga dissociativa.

Incidências: Pode ser identificada em 6% da população geral, sem diferença significativa entre sexos, sendo mais comum entre adolescentes e adultos jovens.

Causas: Os eventos esquecidos mais comuns desse modo são experiências de guerra, períodos de luto, presenciar mortes, acidentes graves, abusos sexuais, desastres naturais, períodos em cativeiro e sequestros sendo fortemente associado a transtorno de estresse pós-traumático.

Subtipos:
F44.1 Fuga dissociativa: Uma fuga apresenta todas as características de uma amnésia dissociativa: comporta além disto, um deslocamento motivado maior que o raio de deslocamento habitual cotidiano. Embora exista uma amnésia para o período de fuga, o comportamento do sujeito no curso desta última pode parecer perfeitamente normal para observadores desinformados.

F44.2 Estupor dissociativo: O diagnóstico de estupor dissociativo repousa sobre a presença de uma diminuição importante ou de uma ausência dos movimentos voluntários e da reatividade normal a estímulos externos, tais como luz, ruído, tato, sem que os exames clínicos e os exames complementares mostrem evidências de uma causa física. Além disto, dispõe-se de argumentos em favor de uma origem psicogênica do transtorno, na medida que é possível evidenciar eventos ou problemas estressantes recentes.

F44.3 Estados de transe e de possessão: Transtornos caracterizados por uma perda transitória da consciência de sua própria identidade, associada a uma conservação perfeita da consciência do meio ambiente. Devem aqui ser incluídos somente os estados de transe involuntários e não desejados, excluídos aqueles de situações admitidas no contexto cultural ou religioso do sujeito.

F44.4 Transtornos dissociativos do movimento: As variedades mais comuns destes transtornos são a perda da capacidade de mover uma parte ou a totalidade do membro ou dos membros. Pode haver semelhança estreita com quaisquer variedades de ataxia, apraxia, acinesia, afonia, disartria, discinesia, convulsões ou paralisia.

F44.5 Convulsões dissociativas: Os movimentos observados no curso das convulsões dissociativas podem se assemelhar de perto àquelas observadas no curso das crises epiléticas; mas a mordedura de língua, os ferimentos por queda e a incontinência de urina são raros contudo; além disto, a consciência está preservada ou substituída por um estado de estupor ou transe.

F44.6 Anestesia e perda sensorial dissociativas: Os limites das áreas cutâneas anestesiadas correspondem frequentemente às concepções pessoais do paciente, mais do que a descrições científicas. Pode haver igualmente uma perda de um tipo de sensibilidade dado, com conservação de outras sensibilidades, não correspondendo a nenhuma lesão neurológica conhecida. A perda de sensibilidade pode se acompanhar de parestesias. As perdas da visão e da audição raramente são totais nos transtornos dissociativos.

F44.7 Transtorno dissociativo misto [de conversão],

F44.8 Outros transtornos dissociativos [de conversão]

F44.9 Transtorno dissociativo [de conversão] não especificado.

Tratamentos medicamentosos mais comumente usados: Remédios para ansiedade como benzodiazepínicos podem ajudar a pessoa a relaxar o suficiente para se lembrar das informações esquecidas.

F45 Transtornos somatoformes

F45 Transtornos somatoformes
Descrição: A característica essencial diz respeito à presença repetida de sintomas físicos associados à busca persistente de assistência médica, apesar que os médicos nada encontram de anormal e afirmam que os sintomas não têm nenhuma base orgânica. Se quaisquer transtornos físicos estão presentes, eles não explicam nem a natureza e a extensão dos sintomas, nem o sofrimento e as preocupações do sujeito.

F45.0 Transtorno de somatização
Descrição: é caracterizada essencialmente pela presença de sintomas físicos, múltiplos, recorrentes e variáveis no tempo, sem causa orgânica identificável que persiste por mais de dois anos. A maioria dos pacientes teve uma longa e complicada história de contato tanto com a assistência médica primária quanto especializada durante as quais muitas investigações negativas ou cirurgias exploratórias sem resultado podem ter sido realizadas. É um tipo de transtorno somatoforme assim como o transtorno hipocondríaco e transtorno dismórfico corporal.

Sintomas: Os sintomas podem estar referidos a qualquer parte ou sistema do corpo. O curso da doença é crônico e flutuante, e frequentemente se associa a uma alteração do comportamento social, interpessoal e familiar.

Incidências: Não encontrado.

Causas: Assim como receber notícia de uma tragédia pode causar sintomas psicológicos como dor de cabeça, tontura, fraqueza, batimento cardíaco acelerado e náusea, vivenciar eventos estressantes causam um grande número de sintomas físicos especialmente relacionados ao sistema neurológico, digestivo, imune, reprodutivo e ao circulatório. Outra possível causa é uma sensibilidade aumentada a sintomas físicos, que são aumentados e agravados por sintomas psicológicos no momento de desespero. A mente tem uma capacidade limitada de lidar com estresse e cansaço físico e pode potencializar sintomas físicos como forma de pressionar a pessoa a descansar e buscar ajuda.

Subtipos:
F45.1 Transtorno somatoforme indiferenciado: Quando as queixas somatoformes são múltiplas, variáveis no tempo e persistentes, mas que não correspondem ao quadro clínico completo e típico de um transtorno de somatização, o diagnóstico de transtorno somatoforme indiferenciado deve ser considerado.

F45.2 Transtorno hipocondríaco: A característica essencial deste transtorno é uma preocupação persistente com a presença eventual de um ou de vários transtornos somáticos graves e progressivos. Os pacientes manifestam queixas somáticas persistentes ou uma preocupação duradoura com a sua aparência física. Sensações e sinais físicos normais ou triviais são frequentemente interpretados pelo sujeito como anormais ou perturbadores. A atenção do sujeito se concentra em geral em um ou dois órgãos ou sistemas. Existem frequentemente depressão e ansiedade importantes, e que podem justificar um diagnóstico suplementar.

F45.3 Transtorno neurovegetativo somatoforme: O paciente atribui seus sintomas a um transtorno somático de um sistema ou de órgão inervado e controlado, em grande parte ou inteiramente, pelo sistema neurovegetativo: sistema cardiovascular, gastrointestinal, respiratório e urogenital. Os sintomas são habitualmente de dois tipos, sendo que nenhum dos dois indica transtorno somático do órgão ou do sistema referido. O primeiro tipo consiste de queixas a respeito de um hiperfuncionamento neurovegetativo, por exemplo, palpitações, transpiração, ondas de calor ou de frio, tremores, assim como por expressão de medo e perturbação com a possibilidade de uma doença física. O segundo tipo consiste de queixas subjetivas inespecíficas e variáveis, por exemplo, dores e sofrimentos, e sensações de queimação, peso, aperto e inchaço ou distensão, atribuídos pelo paciente a um órgão ou sistema específico.

F45.4 Transtorno doloroso somatoforme persistente: A queixa predominante é uma dor persistente, intensa e angustiante, dor esta não explicável inteiramente por um processo fisiológico ou um transtorno físico, e ocorrendo num contexto de conflitos emocionais e de problemas psicossociais suficientemente importantes para permitir a conclusão de que os mesmos sejam a causa essencial do transtorno. O resultado é em geral uma maior atenção em suporte e assistência quer pessoal, quer médica. Uma dor considerada como psicogênica mas ocorrendo no curso de um transtorno depressivo ou de uma esquizofrenia não deve ser aqui classificada.

F45.8 Outros transtornos somatoformes: Todos os outros transtornos das sensações, das funções e do comportamento, não devidos a um transtorno físico que não estão sob a influência do sistema neurovegetativo, que se relacionam a sistemas ou a partes do corpo específicos, e que ocorrem em relação temporal estreita com eventos ou problemas estressantes

F45.9 Transtorno somatoforme não especificado.

Tratamentos medicamentosos mais comumente usados: Antidepressivos podem ser usados para reduzir a ansiedade, melhorar a autoestima do paciente e amenizar transtornos do humor ou transtornos de ansiedade correlacionados a somatização.

F48 Outros transtornos neuróticos

F48.0 Neurastenia

Descrição: Existem variações culturais consideráveis para a apresentação deste transtorno, sendo que dois tipos principais ocorrem, com considerável superposição. No primeiro tipo, a característica essencial é a de uma queixa relacionada com a existência de uma maior fatigabilidade que ocorre após esforços mentais frequentemente associada à certa diminuição do desempenho profissional e da capacidade de fazer face às tarefas cotidianas. A fatigabilidade mental é descrita tipicamente como uma intrusão desagradável de associações ou de lembranças que distraem dificuldade de concentração e pensamento geralmente ineficiente. No segundo tipo, a ênfase se dá mais em sensações de fraqueza corporal ou física e um sentimento de esgotamento após esforços mínimos, acompanhados de um sentimento de dores musculares e incapacidade para relaxar. Em ambos os tipos há habitualmente vários outras sensações físicas desagradáveis, tais como vertigens, cefaleias tensionais e uma impressão de instabilidade global. São comuns, além disto, inquietudes com relação a uma degradação da saúde mental e física, irritabilidade, anedonia, depressão e ansiedade menores e variáveis. O sono frequentemente está perturbado nas suas fases inicial e média, mas a hipersonia pode também ser proeminente.

Sintomas: Além da fadiga constante, seu principal sintoma, os sintomas são: Cefaleia (dor de cabeça), Raquialgia (dor na coluna), Astenia neuromuscular (fraqueza), Dispepsia por atonia gastrointestinal (dificuldade para comer), Insônia, Depressão nervosa, Dores pelo corpo, Dormências localizadas, Dificuldade de concentração, Problemas de memória, Medos mórbidos, Inquietação, Transtornos do sono e Problemas sexuais.

Incidências: Estima-se que entre 3 e 11% da população do planeta seja neurastênica, especialmente nos países da América do Norte e Ásia.

Causas: É um diagnóstico comum na Ásia e América do Norte por não ter a conotação negativa de uma doença mental, e justamente por isso sendo usada como um disfarce para transtornos mais graves como esquizofrenia, depressão e transtorno bipolar. Nos Estados Unidos é também chamada de 'American nervousness' ou apenas 'Americanitis' por ser tratada como uma síndrome característica dos americanos. O consumo da carne aumenta a predisposição para a neurastenia

Subtipos:
F48.1 Síndrome de despersonalização-desrealização: Trata-se de um transtorno raro no qual o paciente se queixa espontaneamente de uma alteração qualitativa de sua atividade mental, de seu corpo e de seu ambiente, estes últimos percebidos como irreais, longínquos ou “robotizados”. Dentre os vários fenômenos que caracterizam esta síndrome, os pacientes queixam-se mais frequentemente de perda das emoções e de uma sensação de estranheza ou desligamento com relação aos seus pensamentos, seu corpo ou com o mundo real. A despeito da natureza dramática deste tipo de experiência, o sujeito se dá conta da ausência de alterações reais. As faculdades sensoriais são normais e as capacidades de expressão emocional intactos. Sintomas de despersonalização-desrealização podem ocorrer no contexto de um transtorno esquizofrênico, depressivo, fóbico ou obsessivo-compulsivo identificável. Neste caso, reter-se-á como diagnóstico aquele do transtorno principal.

F48.8 Outros transtornos neuróticos especificados

F48.9 Transtorno neurótico não especificado.

Tratamentos medicamentosos mais comumente usados: antidepressivos.



F50-F59 Síndromes comportamentais associadas a disfunções fisiológicas e a fatores físicos

F50 Transtornos da alimentação

F50.0 Anorexia nervosa

Descrição: Anorexia nervosa é um transtorno caracterizado por perda de peso intencional, induzida e mantida pelo paciente. O transtorno ocorre comumente numa mulher adolescente ou jovem, mas pode igualmente ocorrer num homem adolescente ou jovem, como numa criança próxima à puberdade ou numa mulher de mais idade até na menopausa. A doença está associada a uma psicopatologia específica, compreendendo um medo de engordar e de ter uma silhueta arredondada, intrusão persistente de uma ideia supervalorizada. Os pacientes se impõem a si mesmos um baixo peso. Existe comumente desnutrição de grau variável que se acompanha de modificações endócrinas e metabólicas secundárias e de perturbações das funções fisiológicas. Os sintomas compreendem uma restrição das escolhas alimentares, a prática excessiva de exercícios físicos, vômitos provocados e a utilização de laxantes, anorexígeros e de diuréticos.

Sintomas: Peso corporal em 85% ou menos do nível normal, Prática excessiva de atividades físicas, mesmo tendo um peso abaixo do normal. Em mulheres, ausência de ao menos três ou mais menstruações. A anorexia nervosa pode causar sérios danos ao sistema reprodutor feminino. Diminuição ou ausência da libido; nos rapazes poderá ocorrer disfunção erétil e dificuldade em atingir a maturação sexual completa, tanto a nível físico como emocional. Crescimento retardado ou até paragem do mesmo, com a resultante má formação do esqueleto (pernas e braços curtos em relação ao tronco). Descalcificação dos dentes; cárie dentária. Depressão profunda. Tendências suicidas. Bulimia, que pode desenvolver-se posteriormente em pessoas anoréxicas. Obstipação grave.

Incidências: Anorexia Nervosa é um transtorno de grande incidência nas mulheres (cerca de 90% dos casos).

Causas: No caso dos jovens adolescentes de ambos os sexos, poderá estar ligada a problemas de autoimagem, dismorfia, dificuldade em ser aceito pelo grupo, ou em lidar com a sexualidade genital emergente, especialmente se houver um quadro neurótico (particularmente do tipo obsessivo-compulsivo) ou história de abuso sexual ou de bullying. Tem sido enfatizada, em debates populares, a importância da mídia para o desenvolvimento de desordens como anorexia e bulimia, por alegadamente promover ela uma identificação da beleza com padrões físicos de magreza acentuada. Qualquer papel a ser exercido pela cultura de massa na promoção dessas desordens, no entanto, está ainda para ser demonstrado. Na busca da etiologia de perturbações da saúde mental, inclusive da anorexia nervosa, comumente são procuradas causas de ordem intrapsíquico, ambiental e genético.

Subtipos:
F50.1 Anorexia nervosa atípica: Transtornos que apresentam algumas das características da anorexia nervosa mas cujo quadro clínico global não justifica tal diagnóstico. Por exemplo, um dos sintomas-chave, tal como um temor acentuado de ser gordo ou a amenorréia, pode estar ausente na presença de uma acentuada perda de peso e de um comportamento para emagrecer. Este diagnóstico não deve ser feito na presença de transtornos físicos conhecidos associados à perda de peso.

F50.2 Bulimia nervosa: A bulimia é uma síndrome caracterizada por acessos repetidos de hiperfagia e uma preocupação excessiva com relação ao controle do peso corporal conduzindo a uma alternância de hiperfagia e vômitos ou uso de purgativos. Este transtorno partilha diversas características psicológicas com a anorexia nervosa, dentre as quais uma preocupação exagerada com a forma e peso corporais. Os vômitos repetidos podem provocar perturbações eletrolíticas e complicações somáticas. Nos antecedentes encontra-se freqüentemente, mas nem sempre, um episódio de anorexia nervosa ocorrido de alguns meses a vários anos antes.

F50.3 Bulimia nervosa atípica: Transtornos que apresentam algumas características da bulimia nervosa mas cujo quadro clínico global não justifica tal diagnóstico. Por exemplo, pode haver acessos repetidos de hiperfagia e de uso exagerado de laxativos sem uma alteração significativa de peso ou então a preocupação típica e exagerada com a forma e peso corporais pode estar ausente.

F50.4 Hiperfagia associada a outros distúrbios psicológicos: Hiperfagia devida a eventos estressantes, tais como lutos, acidentes, partos etc.

F50.5 Vômitos associados a outros distúrbios psicológicos: Vômitos repetidos que podem ocorrer nos transtornos dissociativos e hipocondríacos.

F50.8 Outros transtornos da alimentação

F50.9 Transtorno de alimentação não especificado.

Tratamentos medicamentosos mais comumente usados: Medicamentos usados no tratamento da depressão e da ansiedade como fluoxetina e topiramato tem mostrado resultados moderados em transtornos alimentares, provavelmente por tratar os pensamentos obsessivos e compulsivos, baixa autoestima, instabilidade e estresse que frequentemente estão associados ao quadro de anorexia. Outra opção é a olanzapina, remédio para transtorno bipolar pelo seu efeito como estabilizante de humor.

F51 Transtornos não-orgânicos do sono devidos a fatores emocionais

F51 Transtornos não-orgânicos do sono devidos a fatores emocionais
Descrição: Em numerosos casos uma perturbação do sono é um dos sintomas de um outro transtorno mental ou físico. Como regra geral, este código deve ser utilizado juntamente com outros diagnósticos pertinentes que descrevem a psicopatologia e a fisiopatologia implicadas num dado caso, quando a perturbação do sono é uma das queixas preponderantes e quando é vista como uma afecção per si. Esta categoria compreende unicamente os transtornos do sono que são essencialmente imputáveis a fatores emocionais não-orgânicos, e que não são devidos a transtornos físicos identificáveis classificados em outra parte.

F51.0 Insônia não-orgânica

Descrição: é um dissonia caracterizada pela dificuldade em iniciar e/ou manter o sono e pela sensação de não ter um sono reparador durante pelo menos um mês causando prejuízo significativo em áreas importantes da vida do indivíduo. Do ponto de vista polissonográfico, é acompanhada de alterações na indução, na continuidade e na estrutura do sono. Geralmente aparece no adulto jovem, é mais frequente na mulher e tem um desenvolvimento crônico. É o transtorno de sono mais comum, respondendo por cerca de 25% das buscas em clínicas especializadas em tratamento de problemas do sono. Cerca de metade dos pacientes com insônia também tem depressão maior.

Sintomas: Frequentemente o paciente com diagnóstico de insônia primária apresenta dificuldade para começar a dormir e acorda seguidamente durante a noite, sendo incomum uma queixa isolada de sono não reparador.

Incidências: A insônia é referida em 20% dos adultos. A insônia é mais relatada em mulheres. É incomum entre crianças e adolescentes. Aparece geralmente no adulto jovem (entre 20 e 30 anos) e se intensifica gradativamente, sendo frequente entre idosos.

Causas: Pode ser classificado como causa orgânica (G47.0) ou por causa psicofisiológica (F51.0). Porém do ponto de vista clínico e polissonográfico existem grandes semelhanças entre os subtipos de insônia, ambos com causas orgânicas e psicofisiológicas, sendo desnecessárias as subdivisões.

Subtipos:
F51.1 Hipersonia não-orgânica: A hipersonia é definida como uma afecção com estado de sonolência diurna excessiva e ataques de sono (não explicados por uma quantidade inadequada de sono) e, por outro lado, por períodos de transição prolongados, até o estado de vigília completo após o despertar. Na ausência de um fator orgânico que explica a ocorrência de uma hipersonia, este estado habitualmente se associa a um transtorno mental.

F51.2 Transtorno do ciclo vigília-sono devido a fatores não-orgânicos: Uma ausência de sincronicidade entre o horário de vigília-sono e o horário vigília-sono apropriado ao ambiente de um indivíduo, resultando em queixas ora de insônia, ora de hipersonia.

F51.3 Sonambulismo: O sonambulismo é uma alteração do estado de consciência, associando fenômenos de sono e de vigília. Durante um episódio de sonambulismo, o indivíduo se levanta do leito, em geral no primeiro terço do sono noturno, e deambula; estas manifestações correspondem a um nível reduzido de percepção do ambiente, reatividade e habilidade motora. Quando desperta, o sujeito comumente não se recorda do que aconteceu.

F51.4 Terrores noturnos: Constituem episódios noturnos de terror e pânico extremos associados a uma vocalização intensa, agitação motora e hiperfuncionamento neurovegetativo. O indivíduo se senta ou se levanta, comumente no primeiro terço do sono noturno, com um grito de pânico. Frequentemente corre até à porta como se quisesse fugir; mas raramente deixa seu quarto. A lembrança do evento, se existe, é muito limitada (reduzindo-se em geral a uma ou duas imagens mentais fragmentárias).

F51.5 Pesadelos: O pesadelo é uma experiência de sonho carregada de ansiedade ou de medo que se acompanha de uma lembrança muito detalhada do conteúdo do sonho. Esta experiência de sonho é muito intensa e comporta em geral temas como ameaças à existência, a segurança ou à autoestima. É frequente que os pesadelos tenham tendência a se repetir com temas idênticos ou similares. Os episódios típicos comportam certo grau de hiperatividade neurovegetativa, mas sem atividade verbal ou motora notável. Ao despertar, o sujeito se torna rapidamente alerta e bem orientado.

F51.8 Outros transtornos do sono devidos a fatores não-orgânicos. 51.9 Transtorno do sono devido a fatores não-orgânicos não especificados


Tratamentos medicamentosos mais comumente usados: Benzodiazepínicos e em alguns casos Antidepressivos.

F52 Disfunção sexual, não causada por transtorno ou doença orgânica

F52 Disfunção sexual, não causada por transtorno ou doença orgânica

Descrição: As disfunções sexuais dizem respeito às diferentes manifestações segundo as quais um indivíduo é incapaz de participar numa relação sexual, como ele ou ela desejaria. A resposta sexual é um processo psicossomático e mais comumente, processos tanto psicológicos quanto somáticos intervêm na causação da disfunção sexual.

F52.0 Ausência ou perda do desejo sexual

Descrição: A perda do desejo sexual é o problema principal e não é secundário a outras dificuldades sexuais, como uma falha da ereção.

Sintomas: Ausência de fantasias sexuais e de desejo pela atividade sexual por pelos menos seis meses.

Incidências: 15% da população masculina apresentam diminuição do desejo, sendo que se observou uma maior incidência em homens com idades mais avançadas. Entre as mulheres, os estudos revelaram uma alta incidência, em torno de 26%.

Causas: Como toda disfunção sexual, temos causas orgânicas, não-orgânicas ou a combinação das duas. Causas não orgânicas: alguma causa externa que pode provocar: alta ansiedade, estresse crônico e depressão; falta de comunicação do casal, resultante do desgaste na relação; uma parceria sexual muito punitiva na sua relação com o outro estabelecendo uma relação coercitiva; conflito decorrente da não aceitação da verdadeira orientação sexual, o homossexual que não aceita a expressão dessa orientação; o homem que não percebe de forma adequada seus próprios níveis de excitação. Causas orgânicas: uso de drogas, alcoolismo, anemia grave, anorexia nervosa, hepatite ativa crônica, insuficiência renal crônica, cirrose, desequilíbrio na segregação de prolactina ou testosterona, esclerose múltipla, tuberculose, patologias ligadas à pituitária, doenças de Addison (caracterizada pela produção insuficiente dos hormônios da glândula supra-renal), Cushing (excesso de glicocorticóides na circulação), Kallmann (caracteriza-se pela associação de hipogonadismo, hipogonadotrófico, a anosmia ou hiposmia), Klinefelter (homem que apresenta testículos pequenos e firmes, maturação sexual retardada, azoospermia e ginecomastia, características ligadas ao hipogonadismo) e Parkison (degeneração subcortical progressiva do sistema extrapiramidal caracterizada por diminuição dos movimentos, chamado de bradicinesia, rigidez e tremores).

Subtipos:
F52.1 Aversão sexual e ausência de prazer sexual: Quer a perspectiva de relação sexual produz medo ou ansiedade suficientes para que a atividade sexual seja evitada (aversão sexual), quer as respostas sexuais ocorrem normalmente e o orgasmo é sentido mas existe uma falta do prazer apropriado (ausência do prazer sexual).

F52.2 Falha de resposta genital: O problema principal nos homens é a disfunção de ereção (dificuldade de desenvolver ou de manter uma ereção adequada para uma relação satisfatória). Nas mulheres, o principal problema é a secura vaginal ou falta de lubrificação.

F52.3 Disfunção orgásmica: O orgasmo não ocorre ou é nitidamente retardado.

F52.4 Ejaculação precoce: Incapacidade de controlar suficientemente a ejaculação para que os dois parceiros achem prazer nas relações sexuais.

F52.5 Vaginismo não-orgânico: Espasmo da musculatura do assoalho pélvico que circunda a vagina causando oclusão do intróito vaginal. A entrada do pênis é impossível ou dolorosa.

F52.6 Dispareunia não-orgânica: A dispareunia (ou dor durante as relações sexuais) ocorre tanto na mulher quanto no homem. Pode comumente ser atribuída a uma causa patológica local e deve então ser classificada na rubrica da afecção patológica em causa. Esta categoria deve ser utilizada unicamente quando não há outra disfunção sexual primária (por exemplo, vaginismo ou secura vaginal).

F52.7 Apetite sexual excessivo;

F52.8 Outras disfunções sexuais não devidas a transtorno ou à doença orgânica

F52.9 Disfunção sexual não devida a transtorno ou à doença orgânica, não especificada

Tratamentos medicamentosos mais comumente usados: A depender dos casos, podem ser utilizados medicamento antidepressivos, terapia hormonal e estimulantes.

F53 Transtornos mentais e comportamentais associados ao puerpério, não classificados em outra parte

F53 Transtornos mentais e comportamentais associados ao puerpério, não classificados em outra parte

Descrição: Transtornos mentais associados ao puerpério que apareçam durante as seis primeiras semanas após o parto e que não satisfazem os critérios diagnósticos de um outro transtorno classificado em outra parte neste capítulo, seja porque as informações disponíveis são insuficientes, seja porque elas apresentam características clínicas suplementares especiais que não permitem a sua classificação em outra parte de modo apropriado.

F53.0 Transtornos mentais e comportamentais leves associados ao puerpério não classificados em outra parte

Descrição: é uma forma de depressão que afeta mulheres após terem dado a luz a um bebê.
Sintomas: Alguns dos sintomas mais comuns são: Tristeza, Desesperança, Baixa autoestima, Culpa, Anedonia, Distúrbios de sono, Distúrbios na alimentação Cansaço e falta de energia, Desinteresse sexual, Aumento na ansiedade, Irritabilidade, Sentimento de incompetência e Isolamento social.

Incidências: Cerca de 40% desenvolvem depressão sendo que 10% apresentem a sua forma mais severa.

Causas: A depressão pós-parto, assim como a maioria dos transtornos psicológicos, tem como causas fatores biológicos, psicológicos e sociais. Caso a mãe já apresente depressão antes do parto é provável que ocorra seu agravamento. As grandes alterações hormonais durante a gravidez e a diminuição após o parto são um dos principais responsáveis, porém existe uma clara relação entre o suporte social principalmente do parceiro e família, do planejamento da gravidez, de problemas de saúde da criança, dificuldade em voltar ao trabalho, dificuldade socioeconômica, e estado civil com a presença e gravidade da depressão.

Subtipos: Considera depressão pós-parto um subtipo de depressão maior. De acordo com o manual, para depressão pós-parto ser diagnosticada, os sinais e sintomas da depressão devem se desenvolver dentro de quatro semanas após o parto.

Tratamentos medicamentosos mais comumente usados: Pode ser tratada com Inibidor seletivo de recaptação de serotonina, porém como a maioria dos antidepressivos passam para o leite materno é necessário o uso de substitutos adequados.

F55 Abuso de substâncias que não produzem dependência

Descrição: Uma ampla variedade de substâncias medicamentosas e da medicamentos populares podem estar aqui compreendidos, entretanto os grupos particularmente importantes são: a) drogas psicotrópicas que não produzem dependência, tais como os antidepressivos, b) laxantes e c) analgésicos que podem ser adquiridos sem prescrição médica, tais como a aspirina e o paracetamol. O uso persistente destas substâncias pode frequentemente incluir contatos desnecessários com profissionais médicos ou paramédicos e acompanha-se por vezes de efeitos físicos prejudiciais das substâncias. As tentativas para dissuadir ou proibir o uso dessas substâncias são recebidas frequentemente com resistência; tal fato pode ocorrer com os laxantes e analgésicos, apesar das advertências sobre (ou mesmo ocorrência de) danos físicos tais como disfunções renais ou transtornos eletrolíticos. Em que pese estar usualmente claro que o paciente apresenta uma forte motivação para a ingestão da substância, os sintomas de dependência ou de abstinência não se desenvolvem do mesmo modo como nos casos das substâncias psicoativas

Sintomas: Abuso de: antiácidos, ervas ou remédios populares, esteroides ou hormônios e vitaminas.



F60-F69 Transtornos da personalidade e do comportamento do adulto

F60 Transtornos específicos da personalidade

Descrição: Este agrupamento compreende diversos estados e tipos de comportamento clinicamente significativos que tendem a persistir e são a expressão característica da maneira de viver do indivíduo e de seu modo de estabelecer relações consigo próprio e com os outros. Alguns destes estados e tipos de comportamento aparecem precocemente durante o desenvolvimento individual sob a influência conjunta de fatores constitucionais e sociais, enquanto outros são adquiridos mais tardiamente durante a vida. Os transtornos específicos da personalidade, os transtornos mistos e outros transtornos da personalidade, e as modificações duradouras da personalidade, representam modalidades de comportamento profundamente enraizadas e duradouras, que se manifestam sob a forma de reações inflexíveis a situações pessoais e sociais de natureza muito variada. Eles representam desvios extremos ou significativos das percepções, dos pensamentos, das sensações e particularmente das relações com os outros em relação àquelas de um indivíduo médio de uma dada cultura. Tais tipos de comportamento são geralmente estáveis e englobam múltiplos domínios do comportamento e do funcionamento psicológico. Frequentemente estão associados a sofrimento subjetivo e a comprometimento de intensidade variável do desempenho social.

F60 Transtornos específicos da personalidade

Trata-se de distúrbios graves da constituição caracterológica e das tendências comportamentais do indivíduo, não diretamente imputáveis a uma doença, lesão ou outra afecção cerebral ou a outro transtorno psiquiátrico. Estes distúrbios compreendem habitualmente vários elementos da personalidade, acompanham-se em geral de angústia pessoal e desorganização social; aparecem habitualmente durante a infância ou a adolescência e persistem de modo duradouro na idade adulta.

F60.0 Personalidade paranoica

Descrição: é um transtorno mental caracterizado por paranoia e por um padrão invasivo de desconfiança e suspeitas generalizadas em relação aos outros, interpretando as intenções dos outros como malévolas.

Sintomas: suspeita, sem fundamento suficiente, de estar sendo explorado, maltratado ou enganado por terceiros; preocupa-se com dúvidas infundadas acerca da lealdade ou confiabilidade de amigos ou colegas; reluta em confiar nos outros por um medo infundado de que essas informações possam ser maldosamente usadas contra si; Interpreta significados ocultos, de caráter humilhante ou ameaçador em observações ou acontecimentos benignos; Guarda rancores persistentes, relutando em perdoar insultos, injúrias ou deslizes; Elogios frequentemente são mal interpretados; Percebe ataques a seu caráter ou reputação que não são visíveis pelos outros e reage rapidamente com raiva ou contra-ataque; Tem suspeitas recorrentes, sem justificativa, quanto à fidelidade do cônjuge ou parceiro sexual.

Incidências: ocorre em 0,5 - 2,5% da população geral, sendo mais comum em indivíduos do sexo masculino e estudos em famílias revelaram estreita relação com Esquizofrenia e Transtornos Delirantes.

Causas: Dentre os possíveis causadores do transtorno estão o excesso de ansiedade, experiências de agressividade frequentes na infância e adolescência (geralmente da família e/ou escola), cultura violenta e fatores genéticos. Se tornam pessoas difíceis de se conviver causando sérios prejuízos a seu desenvolvimento social, acadêmico, profissional e de relacionamentos amorosos saudáveis.
Subtipos: Não há.

Tratamentos medicamentosos mais comumente usados: Alguns antipsicóticos em pequenas doses podem diminuir os sintomas.

F 60.1 Personalidade Esquizóide

Descrição: Transtorno da personalidade caracterizado por um retraimento dos contatos sociais, afetivos ou outros, preferência pela fantasia, atividades solitárias e a reserva introspectiva, e uma incapacidade de expressar seus sentimentos e a experimentar prazer.

Sintomas: São pessoas vistas como distantes, frias e indiferentes, o que causa alguns problemas sociais. A maioria dos indivíduos diagnosticados com o transtorno tem dificuldade em estabelecer relacionamentos sociais ou expressar seus sentimentos em uma maneira significativa, e podem permanecer passivos em face de situações desfavoráveis. A maneira destes se comunicarem com outras pessoas às vezes pode ser indiferente e concisa. Por causa da carência de comunicação com outras pessoas, aquelas que são diagnosticadas com o transtorno não são capazes de ter uma reflexão de si mesmas e o quanto eles conseguem se dar bem com os outros.

Incidências: Há evidências que sugerem um aumento na incidência do transtorno de personalidade esquizoide em parentes de pessoas com esquizofrenia ou transtorno de personalidade esquizotípica. As estimativas da prevalência do transtorno são variadas, com valores entre os 0,5% e os 7% da população.

Causas: a personalidade esquizoide tem uma base constitucional, provavelmente genética.

Tratamentos medicamentosos mais comumente usados: Antipsicóticos atípicos podem ser eficazes, o mais comum é o Risperidona.

F60.2 Personalidade dissocial

Descrição: Transtorno de personalidade caracterizado por um desprezo das obrigações sociais, falta de empatia para com os outros. Há um desvio considerável entre o comportamento e as normas sociais estabelecidas. O comportamento não é facilmente modificado pelas experiências adversas, inclusive pelas punições. Existe uma baixa tolerância à frustração e um baixo limiar de descarga da agressividade, inclusive da violência. Existe uma tendência a culpar os outros ou a fornecer racionalizações plausíveis para explicar um comportamento que leva o sujeito a entrar em conflito com a sociedade. Vulgarmente chamado de psicopatia ou sociopatia, é um transtorno de personalidade descrito no DSM-IV-TR, caracterizado pelo comportamento impulsivo do indivíduo afetado, desprezo por normas sociais, e indiferença aos direitos e sentimentos dos outros.

Sintomas: É caracterizada, principalmente, pela ausência de empatia com outros seres humanos (quando não pertencente a família), resultando em falta de interesse com o bem-estar do outro e sérios prejuízos aos que convivem com eles. Esse desvio de caráter costuma ir se estruturando desde a infância. Por isso, na maioria das vezes, alguns dos seus sintomas podem ser observados nesta fase e/ou na adolescência, por meio de comportamentos agressivos que, durante estes períodos, são denominados de transtornos de conduta. Não demonstram empatia, são interesseiros, egoístas e manipuladores. Conforme se tornam adultos, o transtorno tende a se cronificar e causar cada vez mais prejuízos na vida do próprio indivíduo e especialmente de quem convive com ele.

Incidências: Na população em geral, as taxas dos transtornos de personalidade podem variar de 0,5% a 3%, subindo para 45-66% entre presidiários.

Causas: Fatores ambientais e psicológicos como condições econômicas precárias, família desestruturada e histórico de violência podem superar fatores genéticos na formação dos psicopatas atuais. Existe grande número de psicopatas entre as populações carcerárias. Estes indivíduos vivenciaram, geralmente, situações de desamparo, desprezo e desafeto por suas famílias. Vivências repletas de maus tratos, humilhações, abusos e mais uma série de fatores que, somados, podem levar o indivíduo a uma dessensibilização, emocionalmente superficial e a repetir a violência sofrida em suas relações sociais.

Tratamentos medicamentosos mais comumente usados: As formas mais comuns de medicamentos utilizados em pacientes de transtornos de personalidade são os neurolépticos, antidepressivos, lítio, benzodiazepínicos, anticonvulsivantes e psicoestimulantes.

F 60.3 Transtorno de personalidade com instabilidade emocional

Descrição: Transtorno de personalidade caracterizado por tendência nítida a agir de modo imprevisível sem consideração pelas consequências; humor imprevisível e caprichoso; tendência a acessos de cólera e uma incapacidade de controlar os comportamentos impulsivos; tendência a adotar um comportamento briguento e a entrar em conflito com os outros, particularmente quando os atos impulsivos são contrariados ou censurados. Dois tipos podem ser distintos: o tipo impulsivo, caracterizado principalmente por uma instabilidade emocional e falta de controle dos impulsos; e o tipo “borderline”, caracterizado além disto por perturbações da autoimagem, do estabelecimento de projetos e das preferências pessoais, por uma sensação crônica de vacuidade, por relações interpessoais intensas e instáveis e por uma tendência a adotar um comportamento autodestrutivo, compreendendo tentativas de suicídio e gestos suicidas.

Sintomas: É caracterizado pela tendência a agir de modo imprevisível e impulsivo, sem consideração pela consequência; humor imprevisível e instável; tendência a acesso de cólera e incapacidade de controlar o comportamento impulsivo; tendência a adotar comportamento explosivo e a entrar em conflito com os outros, particularmente quando os atos impulsivos são contrariados ou censurados.

Incidências: 1 em cada 50 pessoas.

Causas: os fatores envolvidos na etiologia dos Transtornos da Personalidade são vários, desde predisposições genéticas somadas a experiências emocionais precoces e fatores ambientais, com destaque para as situações traumáticas.

Subtipos: Existem 2 Subtipos desse transtorno: Impulsivo e Bordeline. O Tipo impulsivo: Tendência em agir impulsivamente e sem consideração com as consequências; Tendência a ter um comportamento briguento e entrar em conflito com os outros, especialmente quando os atos violentos são contrariados ou criticados; Tendência a explosões de ira e violência, com incapacidade de controlar os resultados subsequentes; Dificuldade em manter qualquer ação que não ofereça recompensa imediata; Humor instável e caprichoso. Também é conhecido como Transtorno de Personalidade Explosivo e Agressivo. Tipo Borderline: Perturbações e incertezas sobre a autoimagem, metas, preferências internas (incluindo sexualidade); Tendência a se envolver em relações intensas e instáveis, sempre levando a crises emocionais; Esforços excessivos para se evitar abandono; Atos ou ameaças recorrentes de autolesão ou suicídio; Sentimentos crônicos de vazio.

Tratamentos medicamentosos mais comumente usados: As doses baixas de antipsicóticos atípicos, como a Risperidona, são interessantes para tratar os episódios de psicoses.

F60.4 Personalidade histriônica

Descrição: caracterizado por um padrão de emocionalidade excessiva e necessidade de chamar atenção para si mesmo, incluindo a procura de aprovação e comportamento inapropriadamente sedutor, normalmente a partir do início da idade adulta.

Sintomas: Tais indivíduos são vívidos, dramáticos, animados, flertadores e alternam seus estados entre entusiásticos e pessimistas. Comportamento exibicionista; Busca constante por apoio ou aprovação; Dramatização excessiva com demonstrações exageradas de emoção, tais como abraçar alguém que acabou de conhecer ou chorar incontrolavelmente durante um filme ou música triste; Sensibilidade excessiva frente a críticas ou desaprovações; Orgulho da própria personalidade, relutância em mudar e qualquer tentativa de mudança é vista como ameaça; Aparência ou comportamento inapropriadamente sedutor; Sintomas somatoformes, e utilização destes sintomas como meio de chamar atenção; Necessidade de ser o centro das atenções; Baixa tolerância à frustração ou à demora por gratificação; Angústia provocada pela alternância de crença nas próprias mentiras insustentáveis (mitomania); Rápida variação de estados emocionais, que podem parecer superficiais ou exagerados a outrem; Tendência em acreditar que relacionamentos são mais íntimos do que na realidade o são; Decisões precipitadas; Difamação de pessoas que competem com sua atenção.

Incidências: Existem poucos dados de estudos de prevalência desse transtorno, os que existem indicam uma prevalência na população de cerca de 2-3%. Já em contextos ambulatoriais e de internação em saúde mental, ao utilizar-se de avaliações mais estruturadas, as taxas foram identificadas como cerca de 10 a 15% dos casos. Ainda que algumas pesquisas sugiram que a proporção seja próxima entre os sexos, este diagnóstico tem sido muito mais frequente em mulheres. Enquanto os homens tenderiam a exibir masculinidade e habilidades físicas, as mulheres tenderiam a exaltar sua feminilidade e sensualidade

Causas: A causa deste transtorno é desconhecida, mas eventos da infância como mortes ou doenças de familiares próximos, que resultam em ansiedade constante, divórcio ou problemas de relacionamento dos pais e principalmente genética podem estar envolvidos.

Tratamentos medicamentosos mais comumente usados: Podem ser utilizados antidepressivos e ansiolíticos.

F60.5 Personalidade anancástica

Descrição: é um transtorno de personalidade, também conhecido como transtorno de personalidade obsessivo – compulsivo, é caracterizado por um constante sentimento de dúvida, perfeccionismo, escrupulosidade, verificações, e preocupação com pormenores, obstinação, prudência e rigidez excessivas com raízes na infância e que persiste na idade adulta.

Sintomas: sentimentos de dúvida constante e cautela excessiva; Preocupação com detalhes, regras, listas, ordem, organização ou programa; Perfeccionismo que interfere com a conclusão da tarefa; Excessiva conscienciosidade, escrúpulos e preocupação excessiva com a produtividade a ponto de prejudicar relacionamentos interpessoais; Pedantismo excessivo e adesão às convenções sociais; Rigidez e teimosia; Insistência irracional pelo indivíduo em fazer os outros seguirem exatamente o seu jeito de fazer as coisas ou relutância irracional em permitir que outros façam as coisas do seu próprio jeito; Intrusão de pensamentos repetitivos e intrusivos ou impulsos.

Incidências: Não encontrado.

Causas: Segundo a psicologia comportamental esse transtorno é resultado de um condicionamento predominantemente aversivo em um ambiente coercitivo em que os comportamentos preventivos são constantemente reforçados com uma diminuição na ansiedade (reforço negativo). Ou seja, quando a criança cometeu erros ela foi severamente punida por um cuidador ou pelo próprio ambiente. Essas punições foram associadas a várias atividades diferentes passando a gerar respostas de ansiedade (alertas de punição) que aumentam enquanto prevenções não tenham sido tomadas e geram alívio quando não ocorre punição. O desgaste causado a si mesmo e aos outros é visto como compensando as possíveis punições aos erros.

Tratamentos medicamentosos mais comumente usados: inibidores seletivos de recaptação de serotonina (ISRS).

F60.6 Personalidade ansiosa [esquiva]

Descrição: é um transtorno de personalidade caracterizado por um padrão predominante de inibição social (timidez), sentimentos de incapacidade, sensitividade extrema a críticas ou repreensões, e uma tendência à solidão ou isolamento. Pessoas que apresentam o transtorno de personalidade esquiva veem a si mesmas como socialmente ineptas e não atraentes e evitam contato social por medo de serem ridicularizadas, humilhadas ou desprezadas. Os pacientes, tipicamente, mostram-se solitários e relatam o sentimento de distanciamento da sociedade.

Sintomas: Evitação de contatos sociais que envolvam um significante contato interpessoal, por medo de críticas, desaprovações ou rejeições; Só se envolve com pessoas quando tem certeza de que gostarão dele; Apresenta certo bloqueio nas relações íntimas por medo de ser envergonhado ou humilhado; É extremamente preocupado com críticas ou em ser rejeitado em situações sociais; É inibido em novas situações interpessoais por sentimentos de inadequação; Vê a si mesmo como socialmente inepto, sem características atraentes; É usualmente relutante em tomar riscos ou em engajar-se em novas atividades porque elas podem se tornar embaraçosas.

Incidências: afeta entre 0,5 a 1% da população em geral.

Causas: Temor com relação à rejeição.

Tratamentos medicamentosos mais comumente usados: Ansiolíticos.

F 60.7 Personalidade dependente

Descrição: O Transtorno de Personalidade Dependente, anteriormente conhecido como transtorno de personalidade astênico (astenia é fraqueza em latim) ou como personalidade passiva, é um transtorno de personalidade caracterizado por uma excessiva dependência de outros para tomar decisões, baixa autoestima, medo patológico de ser abandonado(a), submissão passiva às vontades do outro e dificuldade em expressar as próprias vontades e necessidades.

Sintomas: Por causa das suas grandes necessidades de aprovação, pessoas que são portadoras de TPD tentam agradar sempre aos outros. Elas podem tornar-se frustradas porque sentem-se forçadas a fazer coisas que não querem ou porque sentem que não podem expressar seus sentimentos. Tem dificuldade em tomar decisões todos os dias sem uma quantidade excessiva de conselhos e reasseguramento de outras pessoas; Outras necessidades para assumir a responsabilidade pelas principais áreas de sua vida; Tem dificuldade em expressar discordância de outros por causa do medo da perda de apoio ou aprovação. Nota: não incluir temores realistas de retribuição; Dificuldade em iniciar projetos ou fazer coisas em seu próprio projeto (devido à falta de autoconfiança em seu julgamento ou capacidades, não por falta de motivação ou energia); Vai a extremos para obter carinho e apoio dos outros, a ponto de voluntariar-se para fazer coisas que são desagradáveis; Sente desconforto ou desamparo quando sozinho por causa de temores exagerados de ser incapaz de cuidar de si mesmo; Busca urgentemente um novo relacionamento como fonte de cuidado e apoio, quando termina uma relação estreita; É irrealisticamente preocupado com temores de ser abandonado para cuidar de si mesmo.

Incidências: Não encontrado.

Causas: Não há estudos de genética ou de características biológicas para os pacientes de TPD, e tampouco têm sido realizados. A causa central para a sua constelação psicodinâmica é uma forma insegura de ligação com os outros, que podem ser o resultado do apego ao comportamento parental.

Tratamentos medicamentosos mais comumente usados: Há pouca evidência para sugerir que o uso de medicamentos resultará em benefícios de longo prazo no funcionamento da personalidade dos indivíduos com TPD. Remédios não demonstram ser eficientes,

F61 Transtornos mistos da personalidade e outros transtornos da personalidade

Descrição: Esta categoria se refere aos transtornos de personalidade frequentemente perturbadores, mas que não mostram o padrão específico de sintomas que caracteriza os transtornos descritos em F60. Consequentemente, são com frequência, mais difíceis de diagnosticar.

F62 Modificações duradouras da personalidade não atribuíveis a lesão ou doença cerebral

Descrição: Transtorno caracterizado por uma alteração significativa dos modos de comportamento que eram habituais ao sujeito antes do advento da doença. As perturbações concernem em particular à expressão das emoções, das necessidades e dos impulsos. O quadro clínico pode, além disto, comportar uma alteração das funções cognitivas, do pensamento e da sexualidade.

Sintomas: É comum que a própria pessoa se sinta diferente e consiga descrever o episódio que "mudou sua vida", mas também existem relatos de casos que a própria pessoa não fazia ideia do quanto mudou. Manifestações comuns de alteração da personalidade incluem: Instabilidade afetiva, Controle dos impulsos instável, Agressividade desproporcional ao estímulo, Acentuada apatia (insatisfação), Desconfiança ou ideação paranoide.

Incidências: Não encontrada.

Causas: Diversas doenças psiquiátricas causas mudanças bruscas e persistentes de personalidade, por exemplo: Transtorno de estresse pós-traumático (TEPT), Reações ao estresse grave, Transtorno de adaptação, Transtornos de ansiedade, Psicoses (Como transtorno delirante ou esquizofrenia), Degeneração cerebral (como Alzheimer ou Demência vascular), Drogadição. Possíveis causas não-psiquiátricas: Derrame cerebral, Lúpus eritematoso sistêmico, Epilepsia, Câncer cerebral, Dor crônica intensa constante (como fibromialgia), Lobotomia, Lesão cerebral Neurotoxinas. Episódios que podem desencadear mudanças permanentes de personalidade: Cativeiro prolongado com risco de morte, Morte de entes queridos, Desastres naturais, Prisão, Trabalho forçado, Tortura, Eventos estressantes.

Subtipos: Tipo instável: indicativo de psicose, transtorno bipolar ou neurotoxinas. Tipo desinibido: indicativo de episódio maníaco ou uso de drogas psicotrópicas. Tipo Agressivo: indicativo de drogadição, lesão do lobo frontal e de abusos físicos e emocionais. Tipo Apático: indicativo de depressão, esquizofrenia com catatonia, degeneração cerebral ou abusos físicos e emocionais. Tipo Paranoide: indicativo de delírio paranoide ou de esquizofrenia paranoide.

Tratamentos medicamentosos mais comumente usados: Embora a psicoterapia seja considerada fundamental, a medicação também exerce um importante papel na diminuição de sintomas depressivos, ansiosos, psicóticos ou maníacos e assim melhora os resultados no tratamento psicoterápico.

F62.1 Modificação duradoura da personalidade após doença psiquiátrica

Descrição: Modificação da personalidade persistindo por ao menos dois anos, atribuível à experiência traumática de uma doença psiquiátrica grave. A alteração não pode ser explicada por um transtorno anterior da personalidade e deve ser diferenciado de uma esquizofrenia residual e de outros estados mórbidos consequentes à cura incompleta de um transtorno mental anterior. Este transtorno se caracteriza por uma dependência e uma atitude de demanda excessiva em relação aos outros; convicção de ter sido transformado ou estigmatizado pela doença a ponto de ser incapaz de estabelecer ou manter relações interpessoais estreitas e confiáveis e de se isolar socialmente; passividade, perda de interesses e menor engajamento em atividades de lazer em que o sujeito se absorvia anteriormente; queixas persistentes de estar doente, às vezes associadas a queixas hipocondríacas e a um comportamento doentio; humor disfórico ou lábil não devido a um transtorno mental atual nem a sintomas afetivos residuais de um transtorno mental anterior; e uma alteração significativa do funcionamento social e profissional.

F63 Transtornos dos hábitos e dos impulsos

Descrição: Esta categoria compreende certos transtornos do comportamento que não podem ser classificadas sob outras rubricas. São caracterizados por atos repetidos, sem motivação racional clara, incontroláveis, e que vão em geral contra os interesses do próprio sujeito e aqueles de outras pessoas. O sujeito indica que seu comportamento está associado a impulsos para agir. A causa para estes transtornos não é conhecida. Estão aqui reagrupados em razão de certas semelhanças grandes nas suas descrições e não em função de outras características comuns importantes conhecidas.

F63.0 Jogo patológico

Descrição: Transtorno que consiste em episódios repetidos e frequentes de jogo que dominam a vida do sujeito em detrimento dos valores e dos compromissos sociais, profissionais, materiais e familiares.

Sintomas: Incapacidade em controlar impulsos diante de um estímulo. Preocupação frequente com jogo, Necessidade de aumentar os riscos ou apostas para alcançar a excitação desejada; Esforço repetido e sem sucesso de controlar, diminuir ou parar de jogar; Inquietude ou irritabilidade quando diminui ou para de jogar; Ameaçar ou perder relacionamentos significativos, oportunidades de trabalho, educação ou carreira por causa do jogo; Jogo como forma de escapar de problemas ou para aliviar sentimentos desagradáveis; Mentir para familiares, terapeuta ou outros, a fim de esconder a extensão do envolvimento com jogo.

Incidências: Preocupação frequente com jogo; Necessidade de aumentar os riscos ou apostas para alcançar a excitação desejada; Esforço repetido e sem sucesso de controlar, diminuir ou parar de jogar; Inquietude ou irritabilidade quando diminui ou para de jogar; Ameaçar ou perder relacionamentos significativos, oportunidades de trabalho, educação ou carreira por causa do jogo; Jogo como forma de escapar de problemas ou para aliviar sentimentos desagradáveis; Mentir para familiares, terapeuta ou outros, a fim de esconder a extensão do envolvimento com jogo.

Causas: Evidências científicas indicam que o jogo patológico é uma dependência semelhante à dependência química. Foi identificado em alguns jogadores patológicos um níveis de noradrenalina mais baixos que em jogadores normais, provavelmente por dessensibilizaçãodos receptores de catecolamina. Noradrenalina e dopamina são secretados em resposta a eventos estressantes e excitantes, causando sensação de alívio e prazer diante de sucessos, mas jogadores patológicos precisam jogar cada vez mais, e com cada vez mais riscos, para obter o mesmo prazer que jogadores ocasionais. Esse mecanismo é muito semelhante ao de dependência química.

Tratamentos medicamentosos mais comumente usados: Antidepressivos e ansiolíticos.


F63.1 Piromania

Descrição: A piromania é definida como o comportamento repetitivo de atear fogo de forma proposital e intencional. É um transtorno pouco conhecido e há até mesmo quem questione se de fato é um transtorno mental. Para se realizar esse diagnóstico é necessário que outros sintomas como esquizofrenia, mania bipolar, personalidade antissocial devem estar incluídos. O número de atos incendiários não é importante, basta um para se fazer o diagnóstico, desde que preencha os critérios.

F63.2 Roubo patológico [cleptomania]

Descrição: Transtorno caracterizado pela impossibilidade repetida de resistir aos impulsos de roubar objetos. Os objetos não são roubados por sua utilidade imediata ou seu valor monetário; o sujeito pode, ao contrário, quer descartá-los, dá-los ou acumulá-los. Este comportamento se acompanha habitualmente de um estado de tensão crescente antes do ato e de um sentimento de satisfação durante e imediatamente após sua realização.

Sintomas: Falhar na tentativa de resistir aos impulsos de furtar objetos desnecessários ou sem valor monetário; Tensão antes da realização do furto; Prazer, satisfação ou alívio após cometer o furto; O furto não é um transtorno de conduta.

Incidências: Acomete em geral mais mulheres do que homens. Cerca de 6 casos por 1000.

Causas: Ainda não há estudo conclusivo sobre as causas da cleptomania. Algumas pesquisas indicam que pode ser causada por alterações cerebrais, porém, ainda não há nada cientificamente comprovado. Outra hipótese apontada pelos especialistas é o alívio de tensão e ansiedade.

Subtipos: Esporádica– com episódios breves de furtos e longos períodos de remissão;
Episódicas– com longos períodos furtando e curtos períodos de remissão;
Crônica– constantes furtos acompanhados de culpas imediatas ou remissão de curtíssima duração.

Tratamentos medicamentosos mais comumente usados: Antidepressivos e ansiolíticos podem ser eficazes.

F63.3 Tricotilomania

Descrição: Transtorno caracterizado por uma perda visível dos cabelos, causada por uma impossibilidade repetida de resistir ao impulso de se arrancar os cabelos. O arrancamento dos cabelos é precedido em geral de uma sensação crescente de tensão e seguido de uma sensação de alívio ou de gratificação. Não se fará este diagnóstico quando o sujeito apresenta uma afecção inflamatória pré-existente do couro cabeludo, ou quando ele prática o arrancamento dos cabelos em resposta a delírios ou a alucinações.

F64 Transtornos da identidade sexual

Descrição: Trata-se de um desejo de viver e ser aceito enquanto pessoa do sexo oposto. Este desejo se acompanha em geral de um sentimento de mal estar ou de inadaptação por referência a seu próprio sexo anatômico e do desejo de submeter-se a uma intervenção cirúrgica ou a um tratamento hormonal a fim de tornar seu corpo tão conforme quanto possível ao sexo desejado.

F64.1 Travestismo bivalente
Descrição: Este termo designa o fato de usar vestimentas do sexo oposto durante uma parte de sua existência, de modo a satisfazer a experiência temporária de pertencer ao sexo oposto, mas sem desejo de alteração sexual mais permanente ou de uma transformação cirúrgica; a mudança de vestimenta não se acompanha de excitação sexual.

F64.2 Transtorno de identidade sexual na infância
Descrição: Transtorno que usualmente primeiro se manifesta no início da infância (e sempre bem antes da puberdade), caracterizado por um persistente em intenso sofrimento com relação a pertencer a um dado sexo, junto com o desejo de ser (ou a insistência de que se é) do outro sexo. Há uma preocupação persistente com a roupa e as atividades do sexo oposto e repúdio do próprio sexo. O diagnóstico requer uma profunda perturbação de identidade sexual normal; não é suficiente que uma menina seja levada ou traquinas ou que o menino tenha uma atitude afeminada. Os transtornos da identidade sexual nos indivíduos púberes ou pré-púberes não devem ser classificados aqui mas sob a rubrica F66.-.

F65 Transtornos da preferência sexual

F65.0 Fetichismo
Descrição: Utilização de objetos inanimados como estímulo da excitação e da satisfação sexual. Numerosos fetiches são prolongamentos do corpo, como por exemplo as vestimentas e os calçados. Outros exemplos comuns dizem respeito a uma textura particular como a borracha, o plástico ou o couro. Os objetos fetiches variam na sua importância de um indivíduo para o outro. Em certos casos servem simplesmente para reforçar a excitação sexual, atingida por condições normais (exemplo: pedir a seu parceiro que vista uma dada roupa).

F65.1 Travestismo fetichista
Descrição: Vestir roupas do sexo oposto, principalmente com o objetivo de obter excitação sexual e de criar a aparência de pessoa do sexo oposto. O travestismo fetichista se distingue do travestismo transexual pela sua associação clara com uma excitação sexual e pela necessidade de se remover as roupas uma vez que o orgasmo ocorra e haja declínio da excitação sexual. Pode ocorrer como fase preliminar no desenvolvimento do transexualismo.

F65.2 Exibicionismo
Descrição: Tendência recorrente ou persistente de expor seus órgãos genitais a estranhos (em geral do sexo oposto) ou a pessoas em locais públicos, sem desejar ou solicitar contato mais estreito. Há em geral, mas não constantemente, excitação sexual no momento da exibição e o ato é, em geral, seguido de masturbação.

F65.3 Voyeurismo
Descrição: Tendência recorrente ou persistente de observar pessoas em atividades sexuais ou íntimas como o tirar a roupa. Isto é realizado sem que a pessoa observada se aperceba de o sê-lo, e conduz geralmente à excitação sexual e masturbação.

F65.4 Pedofilia
Descrição: Preferência sexual por crianças quer se trate de meninos, meninas ou de crianças de um ou do outro sexo, geralmente pré-púberes ou no início da puberdade.

F65.5 Sadomasoquismo
Descrição: Preferência por um atividade sexual que implica dor, humilhação ou subserviência. Se o sujeito prefere ser o objeto de um tal estímulo fala-se de masoquismo; se prefere ser o executante, trata-se de sadismo. Comumente o indivíduo obtém a excitação sexual por comportamento tanto sádicos quanto masoquistas.

F65.6 Transtornos múltiplos da preferência sexual
Descrição: Por vezes uma pessoa apresenta mais de uma anomalia da preferência sexual sem que nenhuma delas esteja em primeiro plano. A associação mais frequente agrupa o fetichismo, o travestismo e o sadomasoquismo.

F65.8 Outros transtornos da preferência sexual

Descrição: Diversas outras modalidades da preferência e do comportamento sexual tais como o fato de dizer obscenidade por telefone, esfregar-se contra outro em locais públicos com aglomeração, a atividade sexual com um animal, o emprego de estrangulamento ou anóxia para aumentar a excitação sexual.

F66 Transtornos psicológicos e comportamentais associados ao desenvolvimento sexual e à sua orientação

Descrição: O paciente está incerto quanto a sua identidade sexual ou sua orientação sexual, e seu sofrimento comporta ansiedade ou depressão. Comumente isto ocorre em adolescentes que não estão certos da sua orientação (homo, hetero ou bissexual), ou em indivíduos que após um período de orientação sexual aparentemente estável (frequentemente ligada a uma relação duradoura) descobre que sua orientação sexual está mudando.

Sintomas: Fantasias homossexuais ou sonhos; Percebe que está se sentindo atraído por alguém do mesmo sexo; Sensação de ser diferente de seus amigos e colegas de classe; ou Experiência sexual não aprovada socialmente.

Incidências: Comumente isto ocorre em adolescentes que não estão certos da sua orientação (homo, hetero ou bissexual), ou em adultos que após um período de orientação sexual aparentemente estável (frequentemente ligada a uma relação duradoura) percebe que sente atração por alguém do sexo diferente do parceiro(a).

Causas: O motivo para sentir atração sexual por homens ou mulheres depende de múltiplos fatores, sendo influenciado por questões genéticas, congênitas, sociais, culturais e pelo desenvolvimento endócrino. Mas ao contrário do que a sociedade pensa a opinião de especialistas é que a atração sexual não é uma opção, e sim uma imposição.

Tratamentos medicamentosos mais comumente usados: Os problemas psicológicos relacionados a homossexualidade e bissexualidade são proporcionais a intolerância da sociedade em que vivem, especialmente por parte de pais, responsáveis e professores. Assim, quanto mais intolerância e preconceito maior a probabilidade de depressão maior e suicídio. Logo caso o transtorno venha acompanhado de depressão, a psicoterapia é indicada junto com o uso de antidepressivos.

F66.1 Orientação sexual egodistônica
Descrição: Não existe dúvida quanto a identidade ou a preferência sexual (heterossexualidade, homossexualidade, bissexualidade ou pré-púbere), mas o sujeito desejaria que isto ocorresse de outra forma devido a transtornos psicológicos ou de comportamento associados a esta identidade ou a esta preferência e pode buscar tratamento para alterá-la. É importante ressaltar que a homossexualidade, bissexualidade não são transtornos nem doenças; o que caracteriza esse distúrbio está restrito ao sofrimento e ansiedade do indivíduo em lidar com seus próprios desejos sexuais.

Incidências: É estimado que cerca de 6 a 10% da população tenham uma orientação diferente da heterossexual.

F66.2 Transtorno do relacionamento sexual
Descrição: A identidade ou a orientação sexual (hetero, homo ou bissexual) leva a dificuldades no estabelecimento e manutenção de um relacionamento com um parceiro sexual.
Causas: Por conta da cultura intolerante a diversidade sexual é comum que homens e mulheres com desejos homossexuais se relacionem com parceiros do sexo oposto como forma de serem melhor aceitos socialmente. Porém o desejo homossexual quase sempre persiste e causa insatisfação sexual no casamento.

F68 Outros transtornos da personalidade e do comportamento do adulto

F68.0 Sintomas físicos aumentados por fatores psicológicos
Descrição: Sintomas físicos compatíveis com, e inicialmente devidos a um transtorno, doença ou incapacidade física, mas exagerados ou prolongados pelo estado psíquico do paciente. O indivíduo apresenta habitualmente um sentimento de angústia em resposta à dor ou à incapacidade de ordem física e mostra-se preocupado, às vezes com razão, com a possibilidade da persistência ou do agravamento de sua incapacidade ou de sua dor.


F68.1 Produção deliberada ou simulação de sintomas ou de incapacidades, físicas ou psicológicas [transtorno fictício]
Descrição: Simulação repetida e coerente de sintomas, às vezes com automutilações com o intuito de provocar sinais ou sintomas. A motivação é obscura e possivelmente de origem interna e visa adotar um papel ou um status de doente, e frequentemente se associa a grandes transtornos da personalidade e das relações.



F70-F79 Retardo mental

F70-F79 Retardo mental

F70-F79 Retardo mental
Descrição: Parada do desenvolvimento ou desenvolvimento incompleto do funcionamento intelectual, caracterizados essencialmente por um comprometimento, durante o período de desenvolvimento, das faculdades que determinam o nível global de inteligência, isto é, das funções cognitivas, de linguagem, da motricidade e do comportamento social. O retardo mental pode acompanhar outro transtorno mental ou físico, ou ocorrer de modo independentemente.

F70.- Retardo mental leve
Descrição: Amplitude aproximada do QI entre 50 e 69 (em adultos, idade mental de 9 a menos de 12 anos). Provavelmente devem ocorrer dificuldades de aprendizado na escola. Muitos adultos serão capazes de trabalhar e de manter relacionamento social satisfatório e de contribuir para a sociedade.

Sintomas: Normalmente definido por três condições: restrições significativas em duas ou mais áreas de habilidades adaptativas (comunicação, autocuidados, vida doméstica, habilidades sociais, relacionamento interpessoal, autossuficiência, habilidades acadêmicas e para o trabalho, lazer, saúde, segurança, relação comunitária).

Incidências: 1 a 3% da população.

Causas: O retardamento mental de origem genético é consequência da Síndrome de Down na maioria dos casos, em outros identifica-se a Síndrome do cromossomo X frágil como a segunda maior causa.

Subtipos:
F71.- Retardo mental moderado: Amplitude aproximada do QI entre 35 e 49 (em adultos, idade mental de 6 a menos de 9 anos). Provavelmente devem ocorrer atrasos acentuados do desenvolvimento na infância, mas a maioria dos pacientes aprende a desempenhar algum grau de independência quanto aos cuidados pessoais e adquirir habilidades adequadas de comunicação e acadêmicas. Os adultos necessitarão de assistência em grau variado para viver e trabalhar na comunidade.

F72.- Retardo mental grave: Amplitude aproximada de QI entre 20 e 40 (em adultos, idade mental de 3 a menos de 6 anos). Provavelmente deve ocorrer a necessidade de assistência contínua.

F73 Retardo mental profundo: QI abaixo de 20 (em adultos, idade mental abaixo de 3 anos). Devem ocorrer limitações graves quanto aos cuidados pessoais, continência, comunicação e mobilidade.

F78 Outro retardo mental

F79 Retardo mental não especificado.



F90-F98 Transtornos do comportamento e transtornos emocionais que aparecem habitualmente durante a infância ou a adolescência

F90 Transtornos hipercinéticos

Descrição: Grupo de transtornos caracterizados por início precoce (habitualmente durante os cinco primeiros anos de vida) falta de perseverança nas atividades que exigem um envolvimento cognitivo, e uma tendência a passar de uma atividade a outra sem acabar nenhuma, associadas a uma atividade global desorganizada, incoordenada e excessiva. Os transtornos podem se acompanhar de outras anomalias. As crianças hipercinéticas são frequentemente imprudentes e impulsivas, sujeitas a acidentes e incorrem em problemas disciplinares mais por infrações não premeditadas de regras que por desafio deliberado. Suas relações com os adultos são frequentemente marcadas por uma ausência de inibição social, com falta de cautela e reserva normais. São impopulares com as outras crianças e podem se tornar isoladas socialmente. Estes transtornos se acompanham frequentemente de um déficit cognitivo e de um retardo específico do desenvolvimento da motricidade e da linguagem. As complicações secundárias incluem um comportamento dissocial e uma perda de autoestima.

Sintomas: são três os sintomas principais destes transtornos: a hiperatividade, o déficit de atenção e a impulsividade.

Incidências: 3 a 6% da população.

Causas: Os principais fatores identificados como causa são uma suscetibilidade genética em interação direta com fatores ambientais.

Subtipos:
F90.0 Distúrbios da atividade e da atenção: Síndrome de déficit da atenção com hiperatividade; Transtorno de déficit da atenção com hiperatividade; Transtorno de hiperatividade e déficit da atenção.

F90.1 Transtorno hipercinético de conduta: Transtorno hipercinético associado a transtorno de conduta.

F90.8 Outros transtornos hipercinéticos.

F90.9 Transtorno hipercinético não especificado.

Tratamentos medicamentosos mais comumente usados: metilfenidato (Ritalina ou Concerta em sua versão comercial), a Bupropiona, a clonidina e os antidepressivos tricíclicos como a Imipramina,

F91 Distúrbios de conduta

Descrição: Os transtornos de conduta são caracterizados por padrões persistentes de conduta dissocial, agressiva ou desafiante. Tal comportamento deve comportar grandes violações das expectativas sociais próprias à idade da criança; deve haver mais do que as travessuras infantis ou a rebeldia do adolescente e se trata de um padrão duradouro de comportamento (seis meses ou mais). Quando as características de um transtorno de conduta são sintomáticas de outra afecção psiquiátrica, é este último diagnóstico o que deve ser codificado.

Sintomas: manifestações excessivas de agressividade e de tirania; crueldade com relação a outras pessoas ou a animais; destruição dos bens de outrem; condutas incendiárias; roubos; mentiras repetidas; cabular aulas e fugir de casa; crises de birra e de desobediência anormalmente frequentes e graves. A presença de manifestações nítidas de um dos grupos de conduta precedentes é suficiente para o diagnóstico mas atos dissociais isolados não o são.

Incidências: é mais frequente entre os 12 e 16 anos, sendo quase 4 vezes mais comum no sexo masculino. Cerca de 20% também possuem algum transtorno de aprendizagem, como dificuldade em se concentrar, em se expressar oralmente ou na escrita ou de memória resultando em desempenho inferior a média na escola.

Causas: O ambiente familiar e social tem papel importante no desenvolvimento e manutenção de transtorno de conduta. O comportamento de oposição e desobediência está associado a pais e irmãos agressivos e negligentes, divórcio dos pais, grandes famílias, mães jovens, baixa condição socioeconômica, apenas um cuidador.

Subtipos:
F91.0 Distúrbio de conduta restrito ao contexto familiar: Transtorno de conduta caracterizado pela presença de um comportamento dissocial e agressivo (não lembrado a um comportamento de oposição, provocador ou perturbador), manifestando-se exclusiva ou quase exclusivamente em casa e nas relações com os membros da família nuclear ou as pessoas que habitam sob o mesmo teto. Para que um diagnóstico positivo possa ser feito, o transtorno deve responder, além disso, aos critérios gerais citados em F91.-; a presença de uma perturbação, mesmo grave, das relações pais-filhos não é por isso só suficiente para este diagnóstico.

F91.1 Distúrbio de conduta não-socializado: Transtorno de conduta caracterizado pela presença de um comportamento dissocial ou agressivo persistente (que responde aos critérios gerais citados em F91.- e não limitado a um comportamento de oposição, provocador ou perturbador), associado a uma alteração significativa e global das relações com as outras crianças.

F91.2 Distúrbio de conduta do tipo socializado: Transtorno de conduta caracterizado pela presença de um comportamento dissocial ou agressivo (que responde aos critérios gerais citados em F91.- e não limitado a um comportamento de oposição, provocador ou perturbador) manifestando-se em indivíduos habitualmente bem integrados com seus companheiros.

F91.3 Distúrbio desafiador e de oposição: Transtorno de conduta manifestando-se habitualmente em crianças jovens, caracterizado essencialmente por um comportamento provocador, desobediente ou perturbador e não acompanhado de comportamentos delituosos ou de condutas agressivas ou dissociais graves. Para que um diagnóstico positivo possa ser feito, o transtorno deve responder aos critérios gerais citados em F91.-; mesmo a ocorrência de travessuras ou de desobediência sérias não justifica, por si próprio, este diagnóstico. Esta categoria deve ser utilizada com prudência, em particular nas crianças com mais idade, dado que os transtornos de conduta que apresentam uma significação clínica se acompanham habitualmente de comportamentos dissociais ou agressivos que ultrapassam o quadro de um comportamento provocador, desobediente ou perturbador.

F91.8 Outros transtornos de conduta,

F91.9 Transtorno de conduta não especificado

Tratamentos medicamentosos mais comumente usados: geralmente está associado a transtorno de déficit de atenção e hiperatividade (43% dos casos), e a transtornos das emoções (ansiedade, depressão, obsessão-compulsão em 33% dos casos), comportamento agressivo, déficit intelectual, convulsões e comprometimento do sistema nervoso central devido a exposição a álcool/drogas durante a gravidez da mãe, infecções, uso de medicamentos ou/e traumas cranianos. Também é comum que existam antecedentes familiares de hiperatividade e comportamento antissocial. Portanto pode ser comum o uso de Ritalina.

F92 Transtornos mistos de conduta e das emoções

Descrição: Grupo de transtornos caracterizados pela presença de um comportamento agressivo, dissocial ou provocador, associado a sinais patentes e marcantes de depressão, ansiedade ou de outros transtornos emocionais. Para um diagnóstico positivo, o transtorno deve responder ao mesmo tempo aos critérios de um transtorno de conduta da infância e de um transtorno emocional da infância ou de um transtorno neurótico do adulto ou de um transtorno do humor do adulto.

Subtipos: F92.0 Distúrbio depressivo de conduta: Transtorno caracterizado pela presença de um transtorno de conduta associado a um humor depressivo marcante e persistente, traduzindo-se por sintomas tais como tristeza profunda, perda de interesse e de prazer para as atividades usuais, sentimento de culpa e perda da esperança. O transtorno pode se acompanhar de uma perturbação do sono ou do apetite. F92.8 Outros transtornos mistos da conduta e das emoções: Grupo de transtornos caracterizados pela presença de um transtorno de conduta associado a perturbações emocionais persistentes e marcantes, por exemplo, ansiedade, medo, obsessões ou compulsões, despersonalização ou desrealização, fobias ou hipocondria. F92.9 Transtorno misto da conduta e das emoções não especificado.

F93 Transtornos emocionais com início especificamente na infância

Descrição: Grupo de transtornos que constituem uma exacerbação de manifestações normais do desenvolvimento, mais do que um fenômeno qualitativamente anormal por si próprio. É essencialmente sobre esta característica que repousa a diferenciação entre os transtornos emocionais que aparecem especificamente na infância e os transtornos neuróticos.

Subtipos:
F93.0 Transtorno ligado à angústia de separação: Transtorno no qual a ansiedade está focalizada sobre o temor relacionado com a separação, ocorrendo pela primeira vez durante os primeiros anos da infância. Distingue-se da angústia de separação normal por sua intensidade (gravidade), evidência excessiva, ou por sua persistência para além da primeira infância, e por sua associação com uma perturbação significativa do funcionamento social.

F93.1 Transtorno fóbico ansioso da infância: Transtorno caracterizado pela presença de medos da infância, altamente específicos de uma fase do desenvolvimento, e ocorrendo, num certo grau, na maioria das crianças, mas cuja intensidade é anormal.

F93.2 Distúrbio de ansiedade social da infância: Transtorno caracterizado pela presença de retraimento com relação a estranhos e temor ou medo relacionado com situações novas, inabituais ou inquietantes. Esta categoria deve ser usada somente quando tais temores aparecem na primeira infância, mas são aqui excessivos e se acompanham de uma perturbação do funcionamento social.

F93.3 Transtorno de rivalidade entre irmãos: A maior parte das crianças pequenas fica perturbada pelo nascimento de um irmão ou de uma irmã. No transtorno de rivalidade entre irmãos, a reação emocional é evidentemente excessiva e se acompanha de uma perturbação do funcionamento social.

F93.8 Outros transtornos emocionais da infância; F93.9 Transtorno emocional da infância não especificado.

F94 Transtornos do funcionamento social com início especificamente durante a infância ou a adolescência

Descrição: Grupo relativamente heterogêneo de transtornos caracterizados pela presença de uma perturbação do funcionamento social, ocorrendo durante o período de desenvolvimento, mas que não apresenta as características de uma incapacidade ou de uma deficiência sociais, aparentemente constitucionais, que perpassa todos os domínios do funcionamento (diferentemente dos transtornos globais do desenvolvimento). Em numerosos casos, a ocorrência destes transtornos parece estreitamente ligada a distorções ou a privações do ambiente.

Subtipos:
F94.0 Mutismo eletivo: Transtorno caracterizado por uma recusa, ligada a fatores emocionais, de falar em certas situações determinadas. A criança é capaz de falar em certas situações, mas recusa-se a falar em outras determinadas situações. O transtorno se acompanha habitualmente de uma acentuação nítida de certos traços de personalidade, como por exemplo ansiedade social, retraimento social, sensibilidade social ou oposição social.

F94.1 Distúrbio reativo de vinculação da infância: Transtorno que aparece durante os cinco primeiros anos de vida, caracterizado pela presença de anomalias persistentes do modo de relações sociais da criança, associadas a perturbações emocionais e que se manifestam por ocasião de alterações no ambiente, por exemplo, inquietude e hipervigilância, redução das interações sociais com as outras crianças, auto ou heteroagressividade, comiseração e, em certos casos, retardo do crescimento. A ocorrência da síndrome está provavelmente ligada diretamente a uma negligência evidente, abusos ou maus tratos por parte dos pais.

F94.2 Transtorno de fixação da infância, com desinibição: Transtorno caracterizado por um modo particular de funcionamento social anormal que aparece nos cinco primeiros anos de vida, persistindo habitualmente a despeito de modificações importantes do ambiente.

F94.8 Outros transtornos do funcionamento social na infância; F94.9 Transtorno do funcionamento social da infância não especificado.

F95 Tiques

Descrição: Grupo de síndromes, caracterizadas pela presença evidente de um tique. Um tique é um movimento motor (ou uma vocalização) involuntário, rápido, recorrente e não-rítmico (implicando habitualmente grupos musculares determinados), ocorrendo bruscamente e sem finalidade aparente. Os tiques são habitualmente sentidos como irreprimíveis, mas podem em geral ser suprimidos durante um período de tempo variável. São frequentemente exacerbados pelo “stress” e desaparecem durante o sono. Os tiques motores simples mais comuns incluem o piscar dos olhos, movimentos bruscos do pescoço, levantar os ombros e fazer caretas. Os tiques vocais simples mais comuns comportam a limpeza da garganta, latidos, fungar e assobiar. Os tiques motores complexos mais comuns incluem se bater, saltar e saltitar. Os tiques vocais complexos mais comuns se relacionam à repetição de palavras determinadas, às vezes com o emprego de palavras socialmente reprovadas, frequentemente obscenas (coprolalia) e a repetição de seus próprios sons ou palavras (palilalia).

Subtipos:
F95.0 Tique transitório: Transtorno que responde aos critérios gerais de um tique, mas que não persiste além de doze meses. Trata-se habitualmente do piscamento dos olhos, mímicas faciais ou de movimentos bruscos da cabeça.

F95.1 Tique motor ou vocal crônico: Transtorno que responde aos critérios de um tique, caracterizado pela presença que de tiques motores, quer de tiques vocais mas não os dois ao mesmo tempo. Pode-se tratar de um tique isolado, ou mais frequentemente, de tiques múltiplos, persistindo durante mais de um ano.

F95.2 Tiques vocais e motores múltiplos combinados [doença de Gilles de la Tourette]: Transtorno caracterizado em um momento qualquer durante o curso da doença por tiques motores múltiplos e um ou mais tiques vocais, não necessariamente simultâneos. O transtorno se agrava habitualmente durante a adolescência e persiste frequentemente na idade adulta. Os tiques vocais são frequentemente múltiplos, com vocalizações, limpeza da garganta e grunhidos repetidos e explosivos, e por vezes, emissão de palavras ou frases obscenas, associadas em certos casos a uma ecopraxia gestual que pode ser igualmente obscena (copropraxia).

F95.8 Outros tiques;

F95.9 Tique não especificado.

F98 Outros transtornos comportamentais e emocionais com início habitualmente durante a infância ou a adolescência

Descrição: Grupo heterogêneo de transtornos, ocorrendo durante a infância, mas que difere por outro lado em numerosos pontos. Algumas destas afecções constituem síndromes bem definidas, enquanto as outras são simples associações de sintomas; estes últimos devem, contudo ser incluídos por um lado em função de sua frequência e de sua associação com uma alteração do funcionamento psicossocial e de outro, porque não podem ser incluídas em outras síndromes.

Subtipos:
F98.0 Enurese de origem não-orgânica: Transtorno caracterizado por micção involuntária (diurna e/ou noturna) anormal levando-se em conta a idade mental da criança, e que não está ligada a um transtorno do controle vesical de origem neurológica, crises epilépticas ou anomalia orgânica do aparelho urinário. A enurese pode existir, de modo contínuo, depois do nascimento ou ser precedida de um período de controle de função vesical. Pode-se acompanhar de um transtorno mais generalizado das emoções ou do comportamento.

F98.1 Encoprese de origem não-orgânica: Transtorno caracterizado por emissão fecal repetida, involuntária ou voluntária, habitualmente de consistência normal ou quase normal, em locais inapropriados a este propósito, tendo-se em conta o contexto sócio-cultural do sujeito. Pode se tratar de uma persistência anormal da incontinência infantil normal, ou perda de continência após a aquisição do controle intestinal, ou ainda de emissão fecal deliberada em locais não apropriados a despeito de um controle esfincteriano normal. A encoprese pode constituir um transtorno isolado, monossintomático ou fazer parte de um outro transtorno, em particular um transtorno emocional (F93.-) ou transtorno de conduta (F91.-).

F98.2 Transtorno de alimentação na infância: Transtorno de alimentação com manifestações diversas geralmente específicas da criança muito jovem e do início da infância. Leva geralmente à recusa de alimentos e a uma seletividade extrema, embora os alimentos sejam de qualidade razoáveis, que os cuidados sejam dados por uma pessoa competente, e que não haja doença orgânica. A ruminação (regurgitação repetida sem náusea nem transtorno gastrointestinal) pode estar associada.

F98.3 Pica do lactente ou da criança: Transtorno caracterizado pelo consumo duradouro de substâncias não-nutritivas (por exemplo, terra, lascas de pintura etc). Pode constituir um comportamento psicopatológico relativamente isolado ou fazer parte de um transtorno psiquiátrico mais global (tal como o autismo). Um diagnóstico de pica deve ficar reservado às manifestações isoladas. Este comportamento se observa sobretudo em crianças que apresentam retardo mental e na presença de um retardo mental, este último deve constituir o diagnóstico principal (F70-F79).

F98.4 Estereotipias motoras: Transtorno caracterizado por movimentos intencionais, repetitivos, estereotipados, desprovidos de finalidade (e frequentemente ritmados), não ligado a um transtorno psiquiátrico ou neurológico identificado. Quando estes movimentos sobrevêm no quadro de um outro transtorno, só o último deve ser registrado e não se faz um diagnóstico de estereotipia motora. Os movimentos sem componente automutilador compreendem: balançar o corpo, balançar a cabeça, arrancar os cabelos, torcer os cabelos, estalar os dedos e bater as mãos. Os comportamentos estereotipados automutiladores compreendem: bater a cabeça, esbofetear a face, colocar o dedo nos olhos, morder as mãos, os lábios ou outras partes do corpo. Os movimentos estereotipados ocorrem muito habitualmente em crianças com retardo mental (neste caso, os dois diagnósticos devem ser registrados). Quando o fato de enfiar o dedo no olho ocorre em criança com déficit visual, os dois diagnósticos devem ser codificados, o primeiro em F98.4 e o segundo com a ajuda do código (orgânico) apropriado.

F98.5 Gagueira [tartamudez]: A gagueira é caracterizada por repetições ou prolongamentos frequentes de sons, de sílabas ou de palavras, ou por hesitações ou pausas frequentes que perturbam a fluência verbal. Só se considera como transtorno caso a intensidade de perturbação incapacite de modo marcante a fluidez da fala.

F98.6 Linguagem precipitada: A linguagem precipitada é caracterizada por um débito verbal anormalmente rápido e um ritmo irregular (sem repetições nem hesitações), suficientemente intenso para tornar difícil a inteligibilidade. A linguagem é irregular e mal ritmada, consistindo em emissões verbais rápidas com formas sintáticas errôneas.

F98.8 Outros transtornos comportamentais e emocionais especificados com início habitualmente na infância ou adolescência: Comer unhas, Déficit de atenção sem hiperatividade, Enfiar os dedos no nariz, Masturbação exagerada, Sucção do polegar.

F98.9 Transtornos comportamentais e emocionais não especificados com início habitualmente na infância ou adolescência



F99 Transtorno mental não especificado

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